Brunch With...Gabriel Cangueza

Entre factos e argumentos conheça a história de um jovem ligado às tecnologias de informação e fundador da primeira e única academia de seguros e fundo de pensões do País.

Angola /
13 Dez 2018 / 11:49 H.

O nosso entrevistado distingue-se por ser um profissional ligado às tecnologias de informação e especializado no sistema sap – software alemão na vertente da gestão empresarial. Distingue-se igualmente por ser atleta e fundador dos Flaminguinhos (antiga escola de futebol do distrito do Rangel e da Academia de Futebol de Angola (AFA), da qual foi o primeiro capitão, na altura como escola de futebol da Samba, depois da FESA antes da actual designação.

É pós graduado em digital business, pela Universidade Lusíada de Angola, fazendo parte do primeiro e único grupo formado até aqui nessa especialidade no País. Estamos a falar de Gabriel Cangueza, director e fundador da Academia de Seguros e Fundo de Pensões (ASFP) e funcionário sénior do Banco Económico. Considera-se filho do Cazenga, onde nasceu há 37 anos. Mas foi no actual distrito Urbano do Rangel onde fez os seus estudos primários e secundários.

Faz o curso de Administração Pública no Instituto Médio de Economia de Luanda (IMEL). E foi na sequência das aulas de informática, que eram orientadas pelo professor Carlos Pique, que nasce o bichinho da informática . No entanto, Gabriel Cangueza tinha outros sonhos. Tentou fazer petróleos no Sumbe (Cuanza Sul), porém sem sucesso, embora tenha chegado ao terceiro ano do ensino médio. No ano seguinte (2002) entra no então Instituto Superior Privado de Angola (ISPRA), materializando o desejo antigo de se formar num curso profissional ligado às tecnologias de informação. Faz engenharia informática, na especialidade de informática aplicada à gestão.

Cangueza teve o seu primeiro emprego no São Paulo, nasimediações da Gajajeira, num armazém de calçado. “Tinha de fazer alguma coisa para ajudar os meus pais, mas para um técnico médio na altura aquela actividade era uma humilhação”, afirma, enfatizando que na altura auferia 70 USD, contra os 25 USD que um técnico médio recebia na função pública. É na Imprensa Nacional, em 2001, onde encontra o primeiro emprego no aparelho do Estado. Exerce a função de revisor gráfico e depois como foto -compositor.

Em 2005, já nas vestes engenheiro informático, trabalha para o consórcio técnico eleitoral, visando as soluções tecnológicas para o processo do registo eleitoral para as eleições de 2008. Logo a seguir, faz uma passagem efémera pelos quadros fundadores da extinta BVDA. Em 2008 entra na ENSA, como analista de sistema sap, onde trabalhou durante 10 anos e com um percurso brilhante, como ressalta, na medida em que teve três avaliações consecutivas de desempenho excelentes. “Isto fez com que o conselho de administração da ENSA ratificasse a minha promoção para chefe de departamento de compras em 2017”, lembra.

O Primeiro filho

“Durante o meu terceiro ano na ENSA fui olhando para o mercado e coloquei-me várias questões. Uma delas se prendia com a formação de quadros no sector segurador, que apresentava uma grande lacuna”, refere. Foi também impulsionado pela experiência adquirida durante os anos em que viajou pelo País, formando o pessoal da ENSA em matéria de gestão do sistema sap, desde a área financeira, recursos humanos, área comercial, entre outras. Nota que a banca e o sector dos petróleos, por exemplo, já possuíam centros de formação, com excepção dos seguros que carecia de uma instituição vocacionada à formação técnica e profissional dos quadros do sector. “Naquela altura havia apenas um curso superior de banca e seguros numa instituição privada. Foi assim que notei uma oportunidade para investir nessa área de formação, uma vez que já tinha veia empreendedora adquirida no Brasil durante numa formação sobre empreendedoríssimo e vendas, em 2011”, explica. Em parceria com dois técnicos da seguradora trabalha na fundação da Academia de Seguros e Fundo de Pensões (ASFP), mas sente nos colegas alguma falta de interesse em dar seguimento aos trabalhos, que chegaram a abandonar o projecto. No entanto o projecto ganha dois novos sócios, nomeadamente.

Passos Reis e Júlio Matias. “Fui firme nas minhas convicções de que na verdade, se eu quero criticar o mercado tenho ao mesmo tempo de apresentar soluções, e notei que a academia era uma delas”, afirma. Em 5 de Agosto de 2015, o dia dos Seguros e Fundo de Pensões, em Luanda, é lançada e apresentada publicamente a ASFP.

Diz que muitas pessoas olham para as coisas com olhos de ver, mas o seu olhar para a academia foi sempre com olhos espirituais e apesar dos constrangimentos que envolveram o lançamento, acreditou no sucesso do projecto, por ser inovador”, enfatiza. Conta que no fim do acto de lançamento, no Centro de Imprensa Aníbal de Melo, recebe um convite telefónico da PWC para um encontro de trabalho, que se traduziu na melhor parceria estratégica da nóvel instituição até agora.

O primeiro curso ministrado pela instituição, que já formou mais de 450 técnicos, versou a contabilidade e fiscalidade nos seguros e fundo de pensões. Recorda que o ponto mais alto da ASFP foi quando, pela primeira vez, em Luanda, juntou o presidente da ASF de Portugal, José Almaça, e Aguinaldo Jaime, Chairman da ARSEG. Abandona a ENSA em Janeiro desse ano e faz uma curta passagem pela Compti, o maior parceiro da Primavera em Angola, até “que o Banco Económico percebe que havia no mercado um especialista com conhecimento profundo do sistema Sap, e então fez-me um convite de trabalho.

“Estórias e Histórias da Nossa Banda”

Gabiel Cangueza é amante da literatura. Tem preparada uma obra de contos intitulado Estórias e Histórias da Nossa Banda, um livro de 250 páginas, que será editado pela editora Chiado, em Lisboa, faltando-lhe apenas patrocínio. “Este será o meu segundo filho depois da ASFP”, revela. Casado e pai de três filhos, Cangueza é um homem viajado, mas Madrid (Espanha) é a cidade que mais o fascinou. Como refere, a cidade velha tem uma estrutura arquitectónica muito linda e um povo acolhedor. Gabriel Canguenza tem na família o elo mais importante da sua vida, “uma vez que o resto consegue-se trabalhando, ao contrário da família”. Adora a música angolana, sobretudo o semba, a kizomba e o Kuduro. Também aprecia o futebol. Tem como melhor compositor Matias Damásio, e Yuri da Cunha o melhor intérprete. Adepto do Petro de Luanda, Gabriel é seguidor de Cristiano Ronaldo.