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Brunch With...Fátiha Manuel

O estímulo de procurar por novos instrumentos de crescimento pessoal e profissional serviram de bússola, desde tenra idade, para a Socióloga que conta nas linhas abaixo como foi o percurso até criar a Hathifa, uma marca que quer posicionar se no mercado nacional.

Luanda /
28 Fev 2020 / 08:37 H.

Esta semana estivemos à conversa com Fátiha Manuel, uma mulher que nos transmitiu, a partida, energia e determinação contagiantes. Apaixonada acima de tudo por pessoas, não seja só pelo facto de ser Socióloga de profissão é ainda empreendedora, sendo a fundadora da marca Hathifa. A empreendedora nasceu e cresceu em Luanda, mas teve de emigrar aos 13 anos de idade para a Namíbia, posteriormente para a Inglaterra, onde efectuou a maior parte dos seus estudos até ao ensino universitário.

É a terceira do que prefere descrever como “muitos filhos”, dos seus pais. Nada a tivesse impedido de ter uma infância “brilhante e colorida”, conta que os pais foram sempre muito atentos. “O meu pai é apaixonado por desporto, literatura e pela natureza. A minha mãe, por sua vez, por artes e então tive uma infância muito criativa”, recorda, afirmando que tem boas recordações da sua tenra idade, por ter brincado muito com outras crianças. Quando mais nova sonhava ser médica. Mais tarde, já em Londres pensou que pudesse ser actriz, por influência da região onde vivia fez formação em artes dramáticas, enquanto fazia o Ensino Médio, no Westminister Kingsway College. Depois foi para a Universidade de Roehampton, onde também fez o primeiro ano, artes dramáticas e teatro, o sonho de ser dramaturga corria-lhe nas veias ao mesmo tempo emergia a paixão pelas ciências sociais. Conta que se afeiçoou à ideia de se formar em Sociologia. Em Agosto de 2007 seguiu para Angola de férias e trabalhou para o Afrobasket que estava a ser organizado no País. Nessa altura já tinha a certeza de que era mais do que um desejo, tomou a decisão e direccionou o foco para a Sociologia. No regresso à Londres, fez a mudança de curso e de universidade, desta vez, pela Middlesex University de Londres, cidade que guarda consigo boas memórias. “Em Londres fiquei a maior parte dos meus anos e lá vivi os mais importantes da minha vida. Tive certamente vários desafios. Sempre fui uma menina muito segura e expressiva e os meus pais fizeram um excelente trabalho na forma como me educaram”, admite a empreendedora, que voltou às raízes, Luanda, em 2011, depois de longos anos no exterior do País.

Uma marca de posicionamento

A jovem gestora de 33 anos de idade descreve o seu percurso profissional como um arco-íris de empregos, enquanto estudante em Londres trabalhou na Pizza Hut, exerceu funções num escritório de advogados, o que a permitiu aprender e conhecer procedimentos administrativos, assim como trabalhou no clube de futebol Chelsea. De regressou a Angola foi logo viver para o Porto Amboim, trabalhou num estaleiro naval, de seguida foi trabalhar para a Toyota de Angola, por cinco anos, como secretária executiva do presidente da companhia. Para além de ser a criadora e CEO da Hathifa, uma marca de roupas e acessórios em panos africanos, Fátiha Manuel trabalha na direcção geral de uma empresa ligada ao marketing e serviços diversos no País, há um ano. Aprendeu com o processo de criação da sua marca própria, a estar no mundo dos negócios e diz que adquiriu experiências que considera serem “magníficas”. Conta que desde 2017 tem vivido muitos desafios, ao decidir empreender, e que de certa forma trazem-lhe muito orgulho, como por exemplo, aprendeu o que é ser um líder e a importância de ser um exemplo para os outros. Acredita que desta forma está a dar um contributo o País. “Ser um bom exemplo, ou pelo menos algum, é muito importante para mim”, confessa. Enquanto empreendedora, diz que as dificuldades são muitas, entretanto, o maior desafio é a matéria prima, quase tudo de que precisa não se encontra no País. “Tenho feito um exercício enorme para manter a marca, comprando o que podemos cá e o resto fora do País”, refere. E ainda tem de lidar com algum preconceito. “Há uma regra silenciosa no mundo corporativo de que mulher tem de trabalhar mais, tem de se esforçar mais para mostrar que vale a pena o contrato assinado”, protesta. Fá Marlene, como também é chamada, ambiciona profissionalmente vestir as nações africanas com a sua marca, começando pelo seu País.

“Ainda existe um tabú de que roupa africana não é chique o suficiente para o serviço, é vista como uma roupa apenas para almoços familiares. Então, eu criei a Hathifa com o objectivo de mostrar e incentivar as pessoas a usarem a roupa de pano africano no seu mundo executivo”, almeja. Considera que a apresentação da sua marca, com apenas dois anos de existência, exclusivamente na rede de supermercados Candando foi uma das suas grandes conquistas, assim como a participação no Plus Size Fashion Week Angola. Para esta mulher, que também é esposa e mãe, “encontrar um equilíbrio entre o mundo dos negócios e as tarefas da maternidade tem sido desafiante”, mas garante que faz tudo com muita dedicação e carinho. Perguntamos a nossa convidada sobre livros e personalidades que a tenham inspirado, para ela, o “Long walk to freedom” foi uma das suas maiores inspirações, Nelson Mandela é para si, um dos melhores líderes que o mundo já teve, o grande Madiba. “Um dos melhores livros escritos sobre a nossa história, enquanto africanos”, disse. Aos novos gestores, empreendedores, líderes e para todos os jovens que queiram enveredar no mundo dos negócios, a socióloga propõe-lhes “investir no conhecimento e crescimento pessoal, assim como serem sempre resilientes e reinventarem-se nos projectos, só assim se atingirá a diferença e competitividade.” Para Fátiha, “Angola é um país novo, porém, o Governo tem uma tarefa muito difícil de certificar que os serviços de primeira necessidade existam e que sejam bons o suficiente.” Termina afirmando que em tudo isto nascem oportunidades e, “já vemos muitos jovens a aproveitá-las, criando empresas que possam auxiliar no crescimento do País.”