Brunch With: Emanuel Rocha
Com o bicho empreendedor a andar-lhe nas veias, conheça a história do criador da Clickit que fez de tudo um pouco, desde a formação em informática à gestor de projectos.
O nosso convidado para o brunch desta edição é destacado por ser um profissional ligado às tecnologias de Informação e especializado em sistemas. Nasceu aos 19 de Julho em Luanda, na Sagrada Família, no meio de uma família acolhedora com cinco irmãos, é o filho mais novo de mãe angolana e pai santomense. Em Maio de 1977 viajaram para Portugal e lá viveram por cinco anos em Belém e depois foram para a Zona da Alverca.
À semelhança das demais crianças da sua idade, Emanuel disse-nos que gostava muito de jogar futebol e vídeo-jogos no computador e sobre os sonhos de criança afirma que ‘‘nós quando somos crianças não sabemos o que queremos, nós pensamos que sabemos mas na verdade não sabemos’’. Começou a ter noção do que queria aos 14 anos quando o seu teu tio lhe ofereceu o primeiro computador e um livro de programação. ‘‘A partir daí achei que tinha uma vocação para fazer informática, pois os nossos sonhos, enquanto criança, é sempre ter um cargo com algum impacto na sociedade’’, mas foi a partir dos 19 anos de idade que nasceu em si o ‘‘bicho do empreendedorismo’’.
Questionado sobre os desafios de viver em Angola, o detentor da Clickit comenta que residir em Angola é uma licção de vida. ‘‘Quem vive em Angola pode viver em qualquer país do mundo, não sei o que é mas sinto que Angola tem qualquer coisa de especial e apesar de já ter trabalhado em quase todas as províncias de Angola, eu sinto que Luanda é uma cidade frenética’’, comenta.
Percurso acadêmico e profissional
O empreendedor informático fez o seu ensino primário na escola de Vialonga, quando fez a escolha para área de Informática foi fazer o secundário na escola Gago Coutinho em Alverca, que era ligeiramente mais longe que a zona da residência e fez a licenciatura na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, tudo em Portugal, considerando-se um aluno exemplar. Aos 18 anos de idade fez o curso de formador e começou a dar formação de informática na óptica do utilizador, em paralelo, enquanto estudava também trabalhava, de manhã ia ao trabalho e de tarde à universidade. ‘‘Assim que acabava a formação corria para casa, almoçava e depois ia para a universidade, isso nos primeiros dois anos, no terceiro ano consegui uma bolsa que pagava uma percentagem para a propina que diminui, até certa forma, uma sobrecarga do pai e no quarto ano fi-lo a noite’’, referiu.
Teve o seu primeiro emprego nas férias longas da escola à cargo de jardineiro, entretanto, após terminar o ensino universitário trabalhou dez anos na consultora Link Consulting e durante este período fez várias certificações Microsoft na área do desenvolvimento de software. ‘‘Esse processo foi realmente engraçado porque nós saímos da universidade com muita teoria, então tive que esquecer um pouco a teoria e partir para a prática e mesmo assim tive a sensação de que não sabia nada, me sentia ‘‘verde’’, mas é muito normal para quem está a terminar a universidade’’.
Quando regressou à Luanda começou a trabalhar numa consultora de nome Stepahead, prestadora de serviços na área dos registos e notariado, fazendo soluções informáticas, onde estive mais de quatro anos. De seguida experimentou a auditoria durante três anos.
Surgimento da Clickit/FactPlus
Em 2009, quando chegou à Luanda, teve a ideia de criar um ‘‘software as a service’’ (software como um serviço), a nossa internet naquela altura não permitia. Em 2012, apesar de ainda trabalhar por conta de outrem, criou uma empresa denominada Clickit e foi obrigado a comprar um software fora de Angola, ‘‘tinha um software que me permitia fazer a facturação online, mas tinha que pagar em euros todos os meses, até certa altura quando a questão da internet começou a melhorar foi o momento ideal para oferecer o produto cloud, hoje já temos a internet quase estável, ‘‘pus a mão na massa’’ e resolvi não programar neste produto’’. Com o bicho empreendedor a andar-lhe nas veias, fez de tudo um pouco trabalhando com a sua grande equipa, onde teve um papel desde gestor de projectos à gestor de testes. Foi então nessa perspectiva que o dono da empresa Clickit criou e lançou o produto com o nome ‘‘Factplus’’ em 2018, que é o primeiro software como serviço em Angola feito por angolanos. ‘‘A adesão ao FactPlus é feita de forma simples, o cliente tem 30 dias de utilização gratuita e terminado esse prazo recebe uma referência multicaixa no seu telemóvel, permitindo o cliente renovar sem ter de se deslocar ao banco fazer o pagamento, para posteriormente enviar o comprovativo, quem adere o factplus tem uma referência bastante inovadora’’ e acrescenta dizendo que o objectivo da empresa é de atingir as micro, pequenas e médias empresas, fruto do benchmarking em países como Brasil e Portugal. Ainda com o sangue empreendedor, no ano passado criou dois Spa em Lisboa, negócios na área de estética e beleza, apesar de não perceber nada sobre estética. Antes de chegar em Luanda, Emanuel abriu uma empresa de transporte de animais vivos, não obstante a lesgilação mudar, as empresas que faziam transporte de animais deixaram de o fazer, entretanto fez uma investigação e legalizou a empresa de transporte que funcionou durante dois anos e depois foi difícil conjugar o trabalho com a família, o que me fez abandonar a empresa’’, confessa. O Engenheiro Informático descreve nesta edição que uma das coisas que fez e sentiu-se realizado foi em 2012 e em 2017 por ter participado num projecto do tribunal constitucional das recepção das candidaturas e partidos políticos, foi um projecto para o país com uma enorme dimensão. ‘‘Sinto-me realizado naquilo que faço, porém quero fazer mais. Uma das minhas ambições é fazer parte de uma grande consultora angolana, eu vejo a Delloite e a KPMG aqui nem Angola e acho que nós com recursos locais conseguimos criar empresas para estarmos concorrencialmente com eles’’, defende. Aos jovens empreendedores deixa uma dica: ‘‘para mim ser empreendedor é acordar de manhã e trabalhar, costumo a dizer que existem muitos empreendedores de palco e o país não precisa disso, o país precisa de empreendedores que trabalham, que produzam e criem postos de trabalho. Quanto a situação do país, Emanuel Rocha opina dizendo que há muito boas perspectivas para o país em que se pode aproveitar a saída de muitas empresas que deixaram de funcionar por questões económicas e financeiras, pois é a altura de provarmos que somos capazes.