Brunch With ... Edmundo Silva

O gestor de RH que decidiu enveredar pela gestão do negócio próprio, deixando sobre a mesa a proposta de se tornar director de uma das áreas de um dos maiores grupos empresariais do País.

Angola /
18 Jan 2019 / 17:47 H.

Uma vez o restaurante Puro Malte foi o local escolhido para uma conversa amena e encorajadora com o jovem empreendedor Edmundo Silva, detentor da marca Cultura. Durante o Brunch nos apercebemos que a Cultura é mais do que uma marca de roupa e sim um símbolo, um apelo à mudança de consciência e a assumpção das nossas origens.

Aos 29 anos de idade, Edmundo Silva traça planos de expansão do seu negócio com sede em Talatona, mas recorda que o começo foi desafiante principalmente porque para trás deixava propostas aliciantes como a de ser o director de recursos humanos de uma das sete unidades de um dos principais grupos empresariais do País.

“Não foi uma decisão fácil,” confessa, mas ainda assim optou por provar o potencial, que todos diziam ter, e lançar-se ao desafio de empreender. Ante a dúvida e o confronto pessoal decidiu arriscar e enfrentar o duelo, provando assim que por trás de todo triunfo há uma história de abnegação.

“Sou o meu maior desafiador e tinha de provar a mim mesmo do que era capaz. Tomei a decisão de ficar sozinho e arcar com as consequências das minhas próprias decisões, pois num ambiente corporativo se cometes um erro há inúmeras pessoas para te proteger mas no ambiente ou nas vestes de investidor é diferente” realça.

O apoio da esposa, Valência Silva, foi fundamental para embarcar nesta missão de empreender, a experiência que a mesma trazia para esta sociedade como o visual merchandising, forneceram mais do que conforto, forneceram a segurança e a certeza de que necessitava para ao fim de quatro anos de trabalho por conta de outrem enveredar por um negócio próprio tendo a esposa como parceira.

“Aos 28 anos de idade tornar-me-ia o director de RH de uma empresa bem-sucedida, isto era um sonho prestes a se realizar, mas algo maior esperava por mim, ela percebeu isso e apoiou-me desde o princípio. Ela começou com o negócio numa fase em que eu ainda hesitava, pois precisava assegurar que o sustento não faltaria, mas logo percebi que este era o caminho e juntos assumimos o desafio”, revela.

Ainda sobre a parceira, Edmundo destaca que a aversão ao risco demostrada foi encorajador pois assumiu o risco de empreender longe da sua terra natal, a Namíbia, e ao mesmo tempo largar o emprego para criar de raiz uma estrutura da qual dependeria não só uma mas várias famílias.

Sobre o negócio Edmundo e a esposa gerem hoje um negócio que evoluiu da importação e comercialização para confecção e comercialização. Em termos de custos e benefícios ficou claro ser mais vantajoso confeccionar localmente de modos a assegurar a qualidade do produto.

Segundo explica, a equipa de produção consegue entender às necessidades do cliente e a equipa comercial, atender as exigências quer dos clientes quer da equipa de produção. Do desejo de consciencializar a sociedade para o uso e promoção da cultura africana nasce a marca Cultura, que vem atender à procura por roupas africanas e ocidentais. Isto porque, explica Edmundo, identificaram uma lacuna no mercado que consiste na fraca apetência por trajes africanos que podem ser incorporados no mundo corporativo e no dia-a-dia por parte dos cidadãos nacionais.

“Assumimos este desafio de oferecer estas opções ao mercado e acreditamos que está a correr muito bem”.

Acresce-se que o desejo de mudar a forma como as pessoas encaram a cultura a começar pela vestimenta, surge também dos conceitos académicos obtidos e da experiência laboral, uma vez que o vestimos impacta os nossos afazeres.

“Vi pessoas com muita capacidade técnica mas que tinham inúmeros entraves justamente porque não se apresentavam da melhor maneira possível, principalmente em negócios que envolvem vendas directas. Com isso queremos ajudar as pessoas a se apresentarem bem, adicionando aos seus conceitos que o que é africano é bonito e formal”.

Revela que todo acervo adquirido enquanto gestor de recursos humanos constituem hoje valências úteis para a gestão do negócio próprio.

A área em que formou-se e trabalhou, Gestão Estratégica de Recursos Humanos, envolve contacto frequente com outras de gestão como a implementação e gestão de projectos, implica conhecer o plano de negócios e entender como funcionam as diversas áreas do segmento corporativo.

“E essa visibilidade permitiu-me entender como uma empresa funciona no papel, para conseguir entender o que uma direcção financeira faz, entender os processos contabilísticos e a gestão de receitas. Para fazer gestão estratégica de recursos humanos tem de estar muito próximo da operação e da produção, o grupo em que trabalhava tem sete empresas e tudo isso forneceu-me bagagem para gerir o negócio”.

Avança ainda que do ponto das relações humanas os conhecimentos e a experiências obtidas foram igualmente fundamentais sendo que muitas vezes teve de falar com o engenheiro de produção como quem entende de produção e assim foi também com os engenheiros civis.

“A nível profissional sei como me colocar no lugar dos outros, ainda que tecnicamente não soubesse, em termos teóricos possuía algum conhecimento e dos desafios que eles enfrentavam”.