Mercado de valores
Tempo - Tutiempo.net

Brunch With...Celso Morel

Um indivíduo sonhador que almeja redesenhar conceitos e desconstruir “preconceitos” na nossa sociedade, através da sua intervenção no sector empresarial e social.

Luanda /
19 Nov 2019 / 12:44 H.

Entre factos e argumentos, Celso Morel é um empreendedor que nasceu em Lisboa e viveu em Luanda até os nove anos de idade, onde passou também a sua adolescência.

Fez parte do ensino médio em Angola e outra em Lisboa, mas concluiu o secundário em Luanda, na

área de artes visuais. Depois retornou para Lisboa com o objectivo de fazer o curso de arquitectura, que abandonou no terceiro ano da faculdade, para tomar as rédeas do seu projecto de restauração. “Foi natural... não foi uma decisão momentânea, mas sim gradual. A medida que estava mais engajado e fascinado com o resultado do projecto, ganhava o gosto pela coisa e acreditava que uns simples apontamentos se estavam a materializar numa estrutura física, sólida e real”, explicou.

O empreendedor de 25 anos de idade acreditava que podia criar um impacto social através de uma intervenção

visual e artística, mas diz que hoje o seu trabalho tem um papel parecido, porém, não tão óbvio para quem desconhece o sector.

“Quem trabalha em restauração tem o papel de reinventar-se constantemente, principalmente nos dias de hoje onde vivemos numa geração mais dinâmica onde o cliente é mais exigente e a concorrência é mais feroz. E de certo modo eu acredito que nós vendemos experiências”, sublinhou acrescentando que “Existe uma

máquina por detrás de um restaurante que orquestra cada detalhe do espaço de modo a interligar toda aquela experiência sensorial de forma harmoniosa que se pretende atingir”.

A sua infância estava mais inclinada para as áreas criativas. “A criação era algo natural para mim; a moda, a ar-

quitetura, o design e a arte no seu todo sempre foram áreas que me encantaram”, menciona o gestor, assim como lembra de ler uma frase que muito o marcou, num dos vários livros que a sua tia lhe oferecera no Natal: “Os arquitectos desenham os cenários onde vivemos”.

Celso diz que para si, um dos maiores desafios que tem sido até hoje são os Recursos Humanos. Afirma que

o empreendedor em Luanda tem um papel de formador incansável e de incutir diariamente a dinâmica e o ADN da empresa.

“Quando temos um conceito distinto, por se tratar de algo novo, somos mais postos em causa, cabe a nós,

empreendedores, convencer aos nossos “vendedores” que o nosso conceito que também será deles, é possível

executar”, refere.

Trajecto empresarial

Além de artista plástico, Celso Morel trabalha actualmente como Gestor para o Live – Waterfront Bar & Club, há 11 meses. O empreendedor afirma que entrou para o mundo empresarial de forma involuntária, foi, na verdade uma consequência do trabalho que resolveu assumir e da paixão pelo projecto que foi concedido. “Penso que apenas usei uma inclinação pessoal e transformei-o num negócio despretensiosamente”, justifica.

Enquanto fazia a sua formação universitária, Celso trabalhou na sua área de formação por longos meses num atelier de arquitectura. Mais tarde trabalhou num call center, onde diz que foi uma das piores experiências e talvez um dos maiores testes à sua autoestima e ao poder de persuasão por estar a tentar vender um produto por telefone, sem poder persuadir clientes indispostos com um sorriso ou uma linguagem corporal afável. Em seguida trabalhou como colaborador na Zara, o que permitiu tirar-lhe completamente da sua zona de conforto, preparando-o para a maioria dos desafios.

“Quem faz atendimento ao público precisa ter a disposição para lidar com equilíbrio de pessoas com várias personalidades e backgrounds”.

Dentro dos momentos que vive considera-se realizado, mas pretende almejar muito mais, construindo uma carreira.

A sua ambição é de formar boas pessoas, acreditando que um negócio nunca é regido apenas por uma pessoa,

pretendendo deste modo, solidificar a sua equipa e disso tornar a sua empresa “Lïve” numa marca e expandir em ramificações que comuniquem com o nosso público.

“Penso que temos um conceito muito abrangente. Chamo os meus clientes de Livers porque acredito que o Lïve

comunica com um público de nicho, que procura novas sensações, mas ao mesmo tempo quero poder proporcionar isso não só através da restauração”, referiu.

Opta mais por leitura motivacional e tem como referência “O Gestor” de Richard Koch, um livro que lhetem servido de inspiração para as suas actividades empresariais.

Resiliência é a palavra chave que aconselha para os próximos tempos. “Para o empreendedor ou todo aquele que tem uma profissão de gestão ou liderança é necessário abster-se de tudo que possa tirar o foco. Somos responsáveis por fazer acontecer e de muitas vezes mostrar a luz no fundo do túnel, de transmitir conforto e

confiança quando tudo está a desabar”, assim aconselha o arquitecto que se tornou empreendedor, tal como entende que a situação actual do país, apesar das grandes dificuldades que trouxe, é também uma fase fértil e convidativa para novos projectos que serão ainda mais sólidos num período melhor. “É da carência que saem os grandes projectos”, finaliza.