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Brunch With...Carlos Jaime

O entusiasmo por aprender e mudar vidas e a trajectória do jovem empreendedor que inspira, nesta que é a primeira edição do ano, com os seus projectos empresariais.

Luanda /
04 Jan 2020 / 08:00 H.

O Mercado traz, para a primeira edição do Brunch With de 2020, Carlos Jaime que divide o seu cargo profissional entre CEO da Startup Buka e Director de Operações do Kianda HUB.

Considera-se ser apenas um grão de poeira no vasto universo. Um jovem precoce e reservado na sua maioria que entende ser sua missão amar a Deus e o próximo. Filho de pais angolanos, nasceu em Luanda, mas parte da sua adolescência esteve divida entre o distrito da Ingombota e o município de Cacuaco. Lembra-nos que foi sempre uma criança muito curiosa e que aprendia quando se divertia, por isso diz que não é de admirar que os seus sonhos girassem à volta disso. “Ser um Cientista da computação, a dada altura Engenheiro de Petróleos, Piloto de Fórmula 1, foram alguns dos meus sonhos de infância e posso dizer que em parte estou a vivê-los e proporcioná-los as outras pessoas”, avança o empreendedor que, dada as vicissitudes da vida, recorda igualmente que nasceu num período onde a edução de qualidade foi uma luta e requeriam planeamento e preparação.

Carlos fez todo o ensino de base no Complexo Escolar Paciência Sacriberto em Cacuaco terminando em 2009. Para o ensino médio frequentou o curso de Electrónica e Telecomunicações no ITEL (Instituto Nacional de Telecomunicações), tendo terminado em 2012.

Em seguida tomou a preocupação de fazer o ensino superior, mas diz que foi uma decisão difícil entre procurar ir ao exterior ou fazer parte da primeira turma do ISUTIC, desenhado para ser a continuação do ITEL. “No final escolhi a segunda opção e continuei no “Parque do Saber” como é chamada a zona do ITEL e no bairro CTT – Rangel, até terminar a minha licenciatura em Engenharia de Telecomunicações em 2017”, esclareceu.

As premissas do projecto

Desde o ensino médio que participou de feiras com ideias e projectos, mas Carlos quis que os seus projectos realmente mudassem vidas e que não fossem apenas apresentações powerpoint bonitas, cheias de promessas, ou um protótipo interessante sem viabilidade comercial, não obstante haver naquela altura duas dificuldades, uma delas é que estava mais focado em electrónica e automação: o problema residia inicialmente em encontrar os materiais e componentes no nosso mercado; a segunda é que não sabia nada sobre os negócios, se não apenas uma formação técnica. “Eu tive de atirar-me do penhasco e montar o avião no ar (melhor definição de startups que conheço).

Enquanto a Buka não mudasse vidas decidi não me focar em mais nada. Deixei os projectos de eletrónica, o meu emprego e usei as minhas próprias economias para iniciar a Buka. Tive de me forçar a aprender a desenvolver websites, e eventualmente tornar-me um gestor, devorei tudo o que encontrava sobre startups e empresas, aprendi “na marra”. Carlos Jaime, de 24 anos de idade, explica nesta entrevista que o seu projecto “Buka” começou com uma sessão de brainstorming para o concurso “Apps for Angola” organizado pela Embaixada da Suécia com um professor e mentor Joan Herrera. Um aplicativo em que os alunos encontrassem o curso postado por outros estudantes. “Fazia sentido porque ambos lecionávamos cursos técnicos de curta duração. Enquanto trabalhava, tínhamos pessoas dormindo à nossa porta para conseguir uma vaga no curso gratuito de programação android de Joan. Entretanto, participamos da competição e vencemos o Apps for Angola e de seguida fomos conhecer a indústria de tecnologia na Suécia”, refere. Acrescenta: “Quando voltamos decidi também dormir na instituição e fazer a inscrição quando mais começavam a chegar: quatro da manhã. Então perguntei a eles por que eles arriscavam suas vidas vindo de bairros perigosos em horas tão extremas, esperando que respondessem que não tinham outro lugar para ir, eles disseram: “temos outro lugar, mas aqui sei que posso encontrar qualidade”. Desde então, mudamos nossa ideia e modelo para focar mais nisso. Deixei meu emprego em Março de 2016 para me focar na Buka, para “mudar vidas por meio da educação”. Para o empreendedo r, o foco da educação está em edifícios e equipamentos, com a Buka pretende trazê-lo de voltas às pessoas. Ajudar a todos a partilhar seu conhecimento em qualquer hora e em qualquer lugar é um dos objectivos que a startup quer ver alcançada. “De certa forma criei o trabalho em que estou agora, assim como a oportunidade de mudar vidas, quer seja por meio da educação como pela tecnologia”, revela.

Há três meses que Carlos Jaime é Director de Operações do Kianda HUB, centro de inovação tecnológica para Startup. “De uns tempos para cá mudamos os escritórios da Buka para o Kianda HUB e eventualmente numa conversa com os fundadores desta última, enquanto reclamava que eles precisavam contratar alguém e outras coisas mais, eles viraram para mim e disseram: “a única pessoa que pensamos para essa posição é você”. O empreendedor informa que o seu objectivo profissional é mudar vidas, assim como menciona os vários momentos que já marcaram o seu percurso profissional, quando foram mencionados pelo Presidente da República durante a conferência ANGOTIC em 2019, por tocar a vida de cerca de 400 crianças de escolas públicas e casas de acolhimentos em 12 províncias pelo programa Unitel Code.