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Brunch With...Bárbara de Sá

É sorridente e meiga, mas por dentro esconde um inabalável desejo e carácter. Disposta a romper barreiras, a profissional é orientada para a excelência e comprometida com as pessoas.

Luanda /
04 Dez 2019 / 11:31 H.

Carismática mais conhecida por Sindoka e filha de pais angolanos, nasceu e cresceu em Luanda no dia de Natal. Revela que teve um período infantil muito feliz, pois passou a maior parte da infância brincando com os primos e amigos no quintal da sua avó, nos Combatentes. Inspirada pelo seu pai, que é um homem de letras,os livros que marcaram muito a sua infância são os intitulados ‘‘As aventuras de Ngunga’’ de Pepetela e ‘‘O Mundo da Sofia’’ de Jostein Garden.

Fez o ensino primário no actual colégio Colina do Sul e o ensino médio no Instituto Médio Normal de Educação-Garcia Neto, na especialidade de Matemática e Física. Conta que desde cedo sonhava em ser engenheira aeronáutica. ‘‘É uma área que me fascinava muito, sempre quis estar dentro de um avião sob o meu comando’’, revela. Mas quando terminou o ensino médio este sonho morreu porque sentiu que as matérias ligadas a dinâmica, eram complexas e, foi daí que decidiu que entraria para a área de Economia.

Depois deste enlace, Bárbara foi para Portugal fazer a formação superior. ‘‘Entrei para o curso de Economia, fiz lá dois anos e mesmo assim não me dei bem’’, confessa. A profissional, caracterizada por ser alguém motivacional, decidiu enveredar na Gestão de Recursos Humanos pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, em Lisboa. ‘‘Na altura não haviam muitos especialistas desta área em Angola e não me arrependo da escolha que fiz. Assim como a minha avó, conta que desde pequenina eu sempre tive um trato fácil de lidar com as pessoas, desse modo o bichinho cresceu e fez-me seguir os Recursos Humanos’’, explicou.

Enquanto cursava a licenciatura em Lisboa, a gestora teve como primeiros empregos temporários em Call Center para adquirir competências em comunicação, e gestão de loja de materiais de um amigo, e já no final do curso, para agregar valor à sua formação fez um estágio na Tecnoforma, Portugal. Após a graduação em 2003, transladou para Inglaterra uns meses depois, de modo a aprimorar mais conhecimentos da língua Inglesa, onde fez dois anos. Neste curto espaço de tempo surgiu-lhe a oportunidade e aproveitou fazer a formação pós-graduada em Negócios Internacionais, na Leeds Metropolitan University.

Questionada sobre os desafios de viver em outras localidades, a nossa convidada conta que só é difícil para quem não cresceu e viveu cá em Angola, o desafio é para todos, a ideia é encarar a realidade, lutar e contribuir para dias melhores.

Entre factos e ofícios

Depois do percurso na diáspora, Bárbara decide voltar para Angola, foi emoldurada para exercer funções no Porto de Luanda de quem foi bolseira. Depois de alguns anos chefiou o sector das Relações Laborais. ‘‘Já estava em Portugal a viver, quando fui contemplada com a bolsa de estudos da Empresa Portuária de Luanda e quando regressei fui directamente enquadrada como Técnica de Recursos Humanos e, estou lá desde 2007’’, lembrou.

Colaborando durante algum tempo com algumas entidades organizacionais, paralelamente à sua função, a gestora do capital humano foi convidada a colaborar na Coutinho, Neto e Orey, uma empresa multinacional de recrutamento, selecção e consultoria em Recursos Humanos, recordando a sua participação no processo extenso de recrutamento para o CAN 2010. De 2014 a 2017 foi colaboradora na Universidade Metodista de Angola leccionando a disciplina de Recursos Humanos. ‘‘Lembro-me que quando a Ofek entrou para o mercado também precisou de um apoio em termos de RH administrativo e dei-lhes o devido apoio, mas só que já estavam a precisar os serviços a tempo inteiro eu não fiquei com eles’’, revelou.

Actualmente, Bárbara Cohen Borges de Sá exerce a função Chefe do Departamento de Recursos Humanos na empresa Portuária de Luanda. Para além do que já desempenhou é também amante de cultura, principalmente da arte cénica. Quando foi mais jovem fez teatro, e recentemente há quatro anos atrás, a convite de um amigo de infância, também apaixonado por teatro, integra o projecto ‘‘Resgarte’’, criado pelo mesmo. ‘‘Fizemos a apresentação do Hamlet em contexto africano, pela primeira vez em Angola’’,comentou.

Está ligada igualmente a projetos de responsabilidade social, é assim voluntária no projecto ‘‘Musa’’ pertencente a uma associação sem fins lucrativos denominada ‘‘Angola Rescue’’. Dentro da sua actividade existe uma comunidade de Recursos Humanos (CRH), cujo objectivo é a partilha e aquisição de conhecimentos e experiências no mundo dos RH. É embaixadora da parte da ética e responsabilidade social por ter um carinho grande e estar ligado a projectos que envolvam as crianças. ‘‘Uma das coisas que me marcou muito foi quando em jovem ajudei um menino de dez anos a prender a ler e escrever e, conseguiu entrar para escola já numa classe avançada’’, regozijou-se.

A profissional tem o grande desejo de contribuir para a melhoria de vida dos jovens em termos de desenvolvimento de competências. Ambiciona igualmente construir um centro de formação onde possa receber jovens e crianças. Em termos pessoais, Bárbara confessa que o momento mais alto da sua vida foi quando teve a sua filha e nos moldes profissionais foi quando sentiu-se valorizada e confiada ao assumir cargos de extrema responsabilidade na empresa e também ao integrar o gabinete de controlo e gestão. ‘‘Nessa altura tive uma visão maior daquilo que é o planeamento estratégico da empresa, inclusive tive a oportunidade de participar na concessão do primeiro plano estratégico’’, acrescenta. Aconselha os novos jovens empreendedores a darem um passo de cada vez, por tanto o aprendizado é o início de tudo.