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Andreina Silva

Desde tenra idade que Andreina Silva sonhava ser uma mulher de negócios, independente financeiramente, para proporcionar um estilo de vida melhor ao pai, camionista, e à mãe, doméstica.

08 Jul 2020 / 16:31 H.

Muito focada e determinada em realizar o que mais desejava, começou a trabalhar aos 16 anos e realizou o sonho de infância aos 21, ao abrir o seu primeiro negócio. Aos 29 anos, é empresária e lidera o mundo da fotografia no feminino. A província de Benguela foi que a viu nascer, mas foi no Lubango que Andreina estudou, fez a maior parte dos seus amigos e, aventurosamente, iniciou o seu percurso profissional.

Crescida num ambiente humilde, partilhou os sacrifícios diários dos pais. Por ter sido educada de forma severa e rígida, desde muito cedo começou a sentir-se obrigada a ser motivo de orgulho para com eles. Era aplicada na escola e tornou-se numa aluna brilhante, com as melhores notas e comportamento excepcional. “O meu pai esforçava-se para nos dar o necessário, mas eu sentia que precisava valer a pena todo o esforço feito por ele. Por isso, sempre tive a sensação de que precisava ajudar os meus pais, que precisava de arranjar uma forma de não ser uma carga para eles”, recorda.

Aos 16 anos, prestes a terminar o médio, Andreina decidiu ouvir a sua ‘voz interior’ e procurar o primeiro emprego num centro comercial no Lubango. Desacreditada pelas amigas e colegas de escola, pediu a um colega de turma que a acompanhasse ao local onde, por sorte, numa das lojas precisavam de um colaborador.

Muito determinada em conseguir a vaga disponível numa loja de artigos de decoração, apesar de não ter ainda idade para trabalhar, criou uma história convincente o suficiente para conseguir o que queria e ficou com o trabalho. Na loja, começou no caixa e na área de vendas, e passou pela papelaria do mesmo grupo. A simpatia, o profissionalismo e habilidade nas vendas não passavam despercebidas aos olhos de quem visitasse as lojas.

E, ao fim de dois anos, já maior de idade, recebeu um convite de uma cliente para gerir uma loja de vestuário infantil. “Uma coisa que tento fazer até hoje é fazer bem o que estiver a fazer, independentemente de não ser algo do meu agrado. Não posso dizer que tinha o melhor emprego, mas sempre dei o melhor de mim”, afirma. Enquanto ganhava maturidade profissional, nunca interrompeu a formação académica.

Conciliava as duas actividades com rigor e foco, mas, quando tudo parecia estar a correr como tinha almejado, perde o pai. Um acontecimento doloroso que implicou grandes mudanças na sua vida, mas que serviu de impulso para que corresse atrás dos seus sonhos com ainda maior garra e determinação. “Aos 19 anos perdi o meu pai, a minha mãe entrou em depressão. Com um salário de 25 mil Kz, pagava a universidade e sobrevivíamos com o que sobrasse. Foi uma fase da minha vida muito delicada, de muita dificuldade e em que várias vezes contei com a solidariedade de amigos, e pintava unhas das amigas para ganhar algum extra”, conta.

Embora vulnerável, e a passar momentos difíceis da vida, nunca deixou de sonhar, manteve-se forte, deixou a tristeza de lado e ganhou maior senso de responsabilidade, enfrentando as adversidades de cabeça erguida. Continuou a estudar e concluiu o curso superior em Comunicação Social na UPRA, no Lubango. Num dia inesperado, uma amiga que conhecia a difícil realidade vivida pela família de Andreina comentou sobre a abertura de candidaturas no então BESA, hoje Banco Economico. Sem grande expectativa nem confiança, aceitou a sugestão e candidatou-se a uma vaga. “Sem nada esperar daquela candidatura, fiz o teste psicotécnico, que correu super bem, e simultaneamente, visto que era formada em Comunicação Social, decidi candidatar-me também ao Jornal de Angola”, recorda. Passados três meses sem qualquer resposta, coincidentemente é contactada pelas duas organizações, tendo passado ambos os testes.

Acabou por decidir-se pela banca. Em 2000, ingressou no BESA, como assistente comercial, e teve a oportunidade de restabelecer-se financeiramente - e finalmente pôde tornar a sua vida e da mãe mais leves. À descoberta de um novo talento Entretanto, o ‘bichinho’ de querer ser independente financeiramente, criar os próprios projectos, permaneceu.

De forma arrojada, começou a comprar peças de roupa no mercado do São Paulo para revender a amigas que viviam no Lubango. Através de um jogo de montagem de lojas que tinha no telefone, a bancária começou a desenvolver habilidades e a ganhar gosto pelo negócio de venda de artigos femininos. Solicitou um empréstimo e decidiu investir no empreendedorismo. “Com o dinheiro emprestado comecei a fazer viagens para Portugal e a trazer artigos femininos, como carteiras, sapatos, etc..

As vendas aumentaram significativamente e fui obrigada a tomar uma decisão radical quanto ao meu emprego”, conta. A trabalhar há menos de um ano na banca, Andreina, com o apoio e incentivo moral do namorado, decidiu abrir a sua primeira loja, no Centro Comercial Millenium, no Lubango, que passou a chamarse - Drey Fashion, tal como a sua loja virtual no telefone. Após algum tempo, identificou a falta de comercialização de artigos infantis na cidade e arriscou abrir a segunda loja.

Hoje, detém quatro lojas em diferentes centros comerciais. Em 2015, por conta da primeira gravidez, foi obrigada a distanciar-se temporariamente dos negócios para estar mais perto do esposo, que na altura trabalhava na Suíça. Sem ter muito com que se concentrar nesta altura, focou-se em encontrar uma actividade que a ajudasse a passar o tempo. É então que começa a gravar vídeos com temas sobre gestação e, sem qualquer intenção de se tornar profissional na área, decidiu fazer um curso de fotografia online e participar em workshops na Suíça. “Quando a minha filha nasceu, fotografei-a.

Não foram fotos profissionais, mas as pessoas gostaram. Quando regressei a Luan- da, após seis meses na Suíça, uma amiga pediu-me para fotografar a sua filha recém-nascida” As fotos foram um sucesso nas redes sociais, e surgiu a primeira cliente que adorou o trabalho realizado - e que foi passando a palavra. Um novo talento foi descoberto e transformado num grande negócio. Com mais foco em fotografar gestantes e recém-nascidos, Andreina Silva actualmente é considerada uma das fotógrafas mais criativas e bem-sucedidas do mercado nacional.