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Anna: boa gestão da pressão e emoção

Apesar de viver sem rumo é, no entanto, talentosa e dona de qualidades cognitivas capazes de darem um outro rumo à vida. Uma mente perspicaz, boa gestão de pressão, excelente capacidade de improviso de soluções...

Paris /
03 Ago 2019 / 10:12 H.

O lançamento em Angola de Anna: Assassina Profissional foi assinalado com uma antestreia no ZAP Cinemas a 18 de Julho. No fim daquela que foi a primeira exibição pública do filme no país, «Anna», título original, mereceu uma grande ovação da assistência. Desde então, o filme em cartaz no ZAP Cinemas com cinco sessões diárias tem surpreendido positivamente os espectadores, ganhando adeptos sessão após sessão.

Catalogada pelos críticos como tendo potencial para ser uma espécie de versão feminina de John Wick, o filme contraria a corrente que augurava que o mesmo seria virado unicamente para cenas de acção violentas. Aliás, o próprio trailer sugeria isto. Anna Poliatova é a personagem interpretada pela actriz em ascensão Sasha Luss.

A jovem cidadã russa perdeu os pais ainda durante a infância. Sozinha no mundo, cresceu à deriva com um futuro incerto, tendo o consumo da droga como a sua única satisfação.

Apesar de viver sem rumo é, no entanto, talentosa e dona de qualidades cognitivas capazes de darem um outro rumo à sua vida. Uma mente perspicaz, boa gestão de pressão, excelente capacidade de improviso de soluções, sem esquecer a sua beleza constituem um conjunto de pressupostos que despertaram o interesse da KBG- serviços secretos russos , após esta submeter a sua candidatura de ingresso à Marinha Russa.

Após ser recrutada para a KGB, é-lhe prometido que, volvidos cinco anos, poderia abandonar a organização. Tudo quanto Anna queria era um dia viver no Havai, cuja imagem costumava a contemplar enquanto criança nos postais afixados no frigorífico dos pais. Se o sonho era este, a realidade factual da jovem era completamente oposta. Vê-se envolvida na mais complexa encruzilhada da sua vida. Disfarçada como modelo, passou a cumprir missões ultra-secretas e perigosas, tendo como alvos políticos, diplomatas e donos de grandes consórcios económicos. Moscovo, Paris e Milão eram o centro dos acontecimentos. Pelo meio, Anna experimenta um efémero romance lésbico que, no fundo, mais serviu para reforçar o seu disfarce.

A CIA (Serviços de Informação dos Estados Unidos da América) engendra um plano que visava a eliminação do chefe do KGB. Na verdade, essa acção da CIA era uma contra-resposta pelo facto de, há cinco anos, alguns agentes da CIA terem sido capturados e executados pela KGB, em Moscovo. Anna é envolvida nessa luta de gigantes, após ser capturada pela CIA numa das missões ao serviço da KGB.

Trabalhando ao mesmo tempo para os dois serviços secretos, Anna vê nisso a oportunidade por que sempre esperou para conquistar liberdade e ter uma vida normal, longe das acções criminosas.

Penso que no lugar de agente secreta, o realizador poderia alternativamente ter optado por um outro perfil para a personagem como uma presa política ou uma testemunha sob protecção policial e, assim, consolidar o tema principal do enredo. Ainda assim, também serviu à justa o de agente secreta. Exímia jogadora de xadrez, a protagonista orquestra um bem delineado, mas arriscado plano para tentar alcançar o xeque-mate às duas organizações.

O filme surpreende com um argumento consideravelmente mais profundo, trazendo como lição a necessidade de reflexão em torno de um conceito indispensável na vida de todos nós: a liberdade humana e os sacrifícios que somos obrigados a enfrentar para conquistar a liberdade que não temos ou, pelo menos, manter a condição de liberdade que já existe.

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