O futuro já não o que era…

Paul Valéry (1871-1943), um filósofo, escritor e poeta francês da escola simbolista, observou que “o problema dos nossos tempos é que o futuro já não é o que era”, uma proposição pertinente naquela época e que se mantém actual nesta era homo viden(como afirma o escritor e filósofo Giovanni Sartori) e quiçá nas próximas. Este intróito vem a propósito de uma tendência que pode estar mais perto do que se pensa e que vai impactar certamente o mercado nacional das TIC.

Mas, é uma realidade nos países mais desenvolvidos nessas matérias. O aspecto que mais está a transformar a televisão nos últimos anos nada tem que ver com a maneira como conteúdos são produzidos, mas, como eles são entregues ao espectador. No destaque desta edição do jornal Mercado, damos visibilidade a um estudo recente, da e Marketer, empresa de estudos de mercado, e embora se limite ao mercado dos Estados Unidos da América (EUA), espelha uma tendência global: a queda da televisão tradicional a favor de serviços de streaming como a Netlix ou a Amazon Prime Video. Segundo o estudo, publicado no final do mês de Julho, neste ano, o número de adultos nos EUA que cancelaram o seu serviço de TV tradicional atingirá os 33 milhões, uma revisão em alta da estimativa feita no ano passado pela e Marketer, de 27,1 milhões, ainda assim um número alarmante para os distribuidores de televisão por cabo.

Essa realidade requer uma mudança no modo como os provedores de internet e televisão concebem os negócios. As mudanças são de tal modo estruturais, que chamam a atenção para um novo modelo de negócio. E todos, quer estejamos em Angola ou nos EUA, pelo facto de vivenciarmos esta nova era, temos o privilégio de estar no olho do furacão, porque a tempestade já começou. E, nesse contexto, as empresas terão de se reinventar mais ao nível tecnológico do que ao nível da gestão se quiserem acompanhar a passada ou estarão condenadas ao fracasso.

No caso concreto de Angola, em que se estima que haja em acima de 1,5 milhões de assinantes activos depay TVe quase 5 milhões de usuários de Internet, de acordo com o Observatório das TIC, à medida que a largura de banda vai aumentando, a qualidade de serviços também, incluindo os de multimédia ligados à televisão.

É previsível que, com a evolução de serviços como Netflix, a televisão por cabo tradicional comece a ficar em desuso daqui a dez anos. “Há uma alta probabilidade de isto acontecer”, supõe Rui Santos, PCA da Sistec. Mas, adverte, para a internet ter as condições necessárias para que possa competir de forma correcta e directa com o serviço de televisão, tem de ser distribuída necessariamente por fibra óptica até às zonas mais remotas. Isto em Angola ainda está muito longe de acontecer.

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