Talento Versus Ética Profissional: Motivação & Liderança

Angola /
15 Abr 2019 / 09:44 H.
Benjamim M bakassy

Existe uma escassez de exemplos de liderança e/ou excelência humana que sejam acessíveis, comunicáveis, e unânimes. Talvez por isso, se tenha sentido, durante os séculos XX e XXI, uma nova hegemonia e protagonismo da excelência do olimpismo, isto é, dos atletas que parecem superar as barreiras impostas aos comuns mortais. Nada melhor do que a história para trazer do passado uma visão de futuros possíveis.

A história é um artifício, que até recentemente, não passava de testemunhos orais ou epistolares. No contexto contemporâneo e tecnológico, a história é quase sempre marcada por registos “quase reais”. Os registos de atletas como Michael Jordan que voou até se tornar “Ar”. Ou, Usain Bolt que – conta a lenda – no seu pico de forma, foi colocado numa numa sala completamente escura, a 100 metros do interruptor, e nesse contexto foi capaz de se levantar, correr, acender a luz, e voltar a sentar-se antes que a luz se tivesse acendido (para que não haja dúvidas, a luz acendeu-se, mas ele já estava novamente sentado. Fez o mesmo exercício para apagar a luz, igualmente com sucesso). A intensidade dos treinos de Usain Bolt – para chegar ao grau de excelência mencionado acima – era de tal ordem que o recordista mundial dos 100 metros chegava a regurgitar, tamanha a intensidade exigida do seu corpo. Os exemplos de atletas servem como quase perfeitas analogias para a liderança e ética profissional exigida àqueles que querem exceder até as suas próprias expectativas. Nesse sentido, o que dizer de Cristiano Ronaldo? O que pode um gestor aprender com o exemplo de CR7 (mesmo que seja fã de Messi...)? De forma resumida, e quiçá histórica, resumiria da seguinte forma:

1. O sucesso não é fruto do acaso (mesmo que a sorte não seja narciso de ninguém); 2. É preciso que se acredite no potencial intrínseco, o que significa trabalhar sempre para alcançar a perfeição de nós mesmos, que não sendo a perfeição absoluta, transformarnos-á sempre na nossa melhor versão possível; 3. Ninguém é imune ao tempo, e com o tempo virá sempre a necessidade de mudança; 4. A capacidade de nos adaptarmos pode ser tão disruptiva quanto a capacidade de inovar; 5. Nada é mais forte do que a nossa capacidade de sentir, mas sem inteligência emocional não estamos preparados para gerir nem o sucesso, nem o fracasso; 6. Existem momentos em que devemos ser líderes, e momentos nos quais, enquanto líderes, devemos ser simplesmente uma parte de uma equipa; 7. Os verdadeiros líderes têm a certeza que a sua visão é apenas uma realidade que está prestes a chegar; 8. Existem valores morais e profissionais que não dependem de mais ninguém, senão da autenticidade reservada à solidão e visão dos líderes; 9. Todos aplaudem a vitória, ninguém aplaude o treino necessário para obrigar a vitória a ceder o seu trono;

A ética profissional dos atletas de alta competição, o seu grau de compromisso, dedicação, sacríficos, e visão, é quase sempre gerida nos bastidores. O mesmo acontece nas organizações e empresas. Termino como uma citação de Cristiano Ronaldo: “Sem disciplina, o talento não serve para nada.”