Revisão das expectativas

12 Abr 2019 / 10:01 H.
Aylton Melo

O desempenho da economia angolana, nos últimos cinco anos, promoveu a revisão de dois Orçamentos Gerais do Estado (2015 e 2016), tal como nessa altura era previsível, e para dar razão as vozes que acusavam o Governo de ser demasiado optimista, vai acontecer a revisão do OGE 2019. Mas, não surpreende de todo, porque no final de Janeiro do ano em curso, o ministro de Estado e do Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior, revelou que o Governo estava a realizar “estudos e consultas” para a revisão deste OGE.

“Estamos a analisar a situação e estamos numa posição de organizar já um Orçamento que tenha um preço de referência do petróleo, que não seja aquele que apresentámos em Dezembro”, disse o governante.

Depois, em meados de Março, o ministro das Finanças, Archer Mangueira, afirmou que o Governo iria avançar com a revisão do Orçamento Geral do Estado mais tardar em Abril.

O OGE2019 revisto deverá apontar para um crescimento de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB), em linha com a projecção divulgada na semana passada na Estratégia de Endividamento de Médio Prazo 2019- 2022 e com a estimativa ontem apontada pelo FMI, nas projecções da Primavera, no mesmo valor. A revisão deverá ainda baixar a despesa. Também os saldos fiscal e da balança corrente deverão ser revistos, tendo em conta as novas projecções do preço do barril de petróleo e o crescimento do PIB.

Fica mais uma vez a prova do quanto as expectativas de receitas do Estado, que dependem em grande percentagem do petróleo (as quais dependem do preço diário do barril do Brent), continuam a defraudar as expectativas das famílias e empresas.

A satisfação da expectativa da maior parte das empresas e das famílias continua a ser adiada. E por isso, querqueiramos quer não todos terão de acompanhar a passada e rever a algumas expectativas de investimento ou de financiamento do Estado. Com isso fica também afectada o que propunha o relatório de fundamentação, no que diz respeito ao “combate dos desequilíbrios territoriais existentes no País, através do desenvolvimento de uma rede de pólos de desenvolvimento tendo em consideração os clusters prioritários (alimentação e agroindústria, energia e água, habitação, transportes e logística). Esta revisão vem em contramão a tendência ascendente do preço do barril do Brent que oscila há uma semana acima dos 70 USD. Apesar de a média de Janeiro a Março ter rondado os 63,3 USD. A tendência pode de alguma forma dar razão ao Governo, por ter se mantido optimista.