Relações “win-win”

Por Aylton Melo

 aylton.melo@mediarumo.co.ao

As relações económicas entre Angola e Portugal, desde o alcance da independência, como se sabe, eram contabilizadas com crescimentos sucessivos. As exportações avançaram quase sempre com variações de dois dígitos, pelo menos entre 2000 e 2014. Recordemos que, em 1999, Angola comprou a Portugal 276 mil EUR em mercadorias. 15 anos depois, em 2014, esse valor ascendia a quase 3,2 mil milhões EUR. Mas as restrições financeiras dos últimos cinco anos provocaram repercussões na relação comercial entre as duas nações, registando-se uma queda nas exportações de Portugal para Angola. Em 2016, Portugal exportou 1,5 mil milhões EUR para Angola, o que representa uma quebra de 28,4% face ano anterior. Uma contracção que se seguiu a uma quebra de 33,9% registada em 2015. Isso significa que, em apenas dois anos, o valor das exportações portuguesas de mercadorias para Angola caiu para menos de metade.

Apesar do peso irrisório das exportações de Angola para Portugal, estas cresceram em cerca de 35%, se olharmos para a última década, em sectores como a banca, telecomunicações, comunicação social, energias, engenharia, serviços e transporte. O empresário Agostinho Kapaia reafirmou numa actividade recente esses sectores, com grande potencial de negócio em terras lusas. O presidente da direcção da CCIPA,

João Luís Traça, aponta que entre os factores que estão na origem do menor interesse das empresas portuguesas em Angola está, sem dúvida, a diminuição na disponibilidade de divisas e a quebra na capacidade de consumo por parte do mercado interno e do sector público, em particular.Também o facto de a economia portuguesa ter voltado a crescer com o surgimento de muitas oportunidades para as empresas portuguesas e de as exportações a partir de Portugal terem tido uma evolução favorável para outros mercados; e, por fim, talvez o aspecto mais importante no contexto empresarial, a sensação de que a crise de Angola se iria prolongar por muitos anos. Infelizmente, as economias passam por momentos de crise, o crescimento económico perpétuo não existe, e foi isso o que aconteceu à economia angolana. Os empresários, ao contrário dos especuladores financeiros, precisam de sentir que o seu investimento de hoje vai gerar resultados amanhã; que a economia no futuro próximo vai crescer; é necessária a percepção, por parte de quaisquer investidores, de que o futuro é promissor.

Há, entretanto, sectores em que poderão existir novos investimentos portugueses em Angola, e considera-se que as empresas portuguesas já estejam presentes em (quase) todas as áreas da economia e em todas as províncias angolanas.Acredito que há uma área em particular onde Portugal tem know-how, humano e técnico, e onde pode vir a ter um papel importante – o turismo, aproveitando as potencialidades que Angola oferece. Enquanto destino pouco explorado, e com grande potencial, o turismo vai ter um grande crescimento nos próximos anos, e onde há crescimento, há oportunidades.

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