Regras básicas para uma boa conduta profissional

Angola /
12 Mar 2019 / 15:47 H.
Fausto de Carvalho Simões

O princípio subjacente às boas maneiras profissionais é o respeito pelos interesses e sentimentos dos outros. Por outras palavras, devemos mostrar, através do que dizemos e fazemos, que nos preocupamos tanto com a pessoa com quem estamos a tratar algum assunto como connosco próprios. Isto não significa que deixemos de ser intransigentes quando for necessário pois ninguém gosta ou respeita um indivíduo bajulador e insinuante, que lisonjeia desmedida e continuamente os colegas e chefes. Pelo contrário, devemos mostrar, através da nossa conduta, que possuímos valores pessoais e éticos bem formados, baseados no respeito pelos outros. Por isso, se tivermos de apaziguar uma discussão, repreender um subordinado ou mesmo despedir alguém, após a instauração do competente processo disciplinar, os nossos modos devem não ser firmes e justos, mas também solidários para com as circunstâncias pessoais de cada um.

Em muitos casos é necessário um verdadeiro esforço para ultrapassarmos o nosso instinto natural de nos aproveitarmos de alguém numa posição menos favorecida. Mas ao fazermos esse esforço ganharemos, não só o respeito dos outros, mas reforçaremos também a nossa confiança e auto-estima.

Pensar no ponto de vista da outra pessoa antes de agirmos irá trazer-nos enormes benefícios!

As regras básicas

O respeito que mostramos na nossa vida profissional pelos sentimentos dos outros pode ser traduzido pela sigla ´IMPACT`, que resume as seguintes regras básicas de ouro, para uma boa conduta profissional: Integridade - Aja de maneira honesta e sincera; Modos - Não seja egoísta, grosseiro ou indisciplinado; Personalidade - Comunique os seus valores, atitudes e opiniões; Aparência - Apresente-se sempre o melhor possível; Consideração – Observe-se do ponto de vista das outras pessoas; Tacto - Pense antes de falar.

A integridade é a demonstração, através daquilo que se faz e diz, que é uma pessoa honesta, sincera e digna de confiança. A reputação de se ser integro é difícil de obter, mas rapidamente se perde. Muitos negócios iriam por água abaixo se não houvesse um pressuposto positivo da integridade de cada um. É posta à prova quando o indivíduo ou a empresa são provocados, ou tentados a agir, de modo menos honesto. É regra de ouro de um bom comportamento profissional que a sua integridade nunca seja questionada. Os modos são os padrões de comportamento que indicam à pessoa com quem trata algum assunto, que se pode esperar de si uma actuação correcta e justa quando tratar de negócios consigo. Se o considerar grosseiro, egoísta ou indisciplinado, é pouco provável que a relação prospere. De igual modo, se falar ou agir de maneira racista ou sexista, bem como mostrar deslealdade para com a sua empresa ou colegas, os seus modos vão parecer pouco aceitáveis. Não basta evitar o que é negativo. Os bons modos incluem levar a cabo acções positivas, para que a outra pessoa se sinta bem ao relacionar-se consigo. Muito importante ainda será a sua forma de actuação no relacionamento com interlocutores estrangeiros. Sempre que possível deverá inteirar-se dos seus hábitos e aspectos culturais a si intrínsecos, a fim de não ferir susceptibilidades.

A sua personalidade é o que de especial pode oferecer ao assunto em que está envolvido. O seu comportamento deverá conseguir que as suas qualidades sejam enaltecidas o melhor possível. Por exemplo, poderá comportar-se de modo apaixonado a respeito de determinado assunto, mas não deverá mostrar-se emocional; poderá ser irreverente, mas nunca desleal; poderá ser divertido, mas não impertinente ou genial, mas nunca aborrecido. Não deixe que a falta de consideração pelos outros, acções indelicadas ou indiscretas, ou uma não observância das regras de cortesia na vida profissional, o marquem para sempre.

A aparência pode não ser o seu melhor recurso, mas nunca deverá descurá-la! Andar bem arranjado, com roupa apropriada, sentar-se e levantar-se com boa postura, e manter-se fisicamente bem cuidado, são elementos vitais para a conseguir e manter uma boa impressão perante os seus colegas de profissão. Todos reagimos, nem que seja inconscientemente, ao modo como se apresentam aqueles com quem tratamos. Não permita que a sua aparência o deixe ficar mal!

A consideração pelos outros é o princípio fundamental subjacente às boas maneiras, no mundo dos negócios. Há negociadores bem sucedidos que representam muitas vezes as acções prováveis dos seus opositores, antes de se encontrarem com eles. É simples o seu objectivo: prepare-se para dar resposta às novas iniciativas, quando estas se apresentarem. Da mesma forma, o empresário que imagina antecipadamente a reacção potencial da pessoa com quem se vai encontrar, ou a quem vai escrever ou falar ao telefone é, de imediato, capaz de tratar com ela com mais cuidado e sensibilidade. Se possível estude técnicas de negociação que incluem o estudo das expressões gestuais e faciais do seu interlocutor.

O tacto é a última das regras de ouro, mas de modo algum a menos importante; deverá ser o “Guardião” que nos protege das palavras e acções indelicadas. Todos conhecemos a tentação de se reagir imediatamente a uma provocação, ou de nos aproveitarmos de uma situação, lamentando imediatamente, com pedido de desculpas, a seguir o facto de termos agido impulsivamente. O tacto não é apenas apresentar assuntos desagradáveis, de maneira aceitável. Tem também a ver com o respeito pelos interesses dos outros, escolhendo, apenas nessa altura, a forma de expressão mais aceitável. Esta regra também diz que, em caso de dúvida, é melhor não dizer nada! Pena mesmo é o facto de muitos de nós, particularmente a maior parte dos políticos - em todo o mundo - não primarmos pela observância dessas regras básicas para uma boa conduta profissional. A convivência entre todos seria salutar e certamente o mundo seria melhor. A propósito, os índices de corrupção certamente reduziriam drasticamente.