Pobreza antropológica e a nação dependente

Angola /
29 Nov 2018 / 17:26 H.
André Samuel

Uma nação essencialmente consumidora vive dependente. E aqui importa sublinhar a palavra dependente, das nações produtoras. Quando a importação é a base do sustento de um País, como é ocaso de Angola que importa mais de 80% do que consome seja em bens ou em serviço, o seu destino é viver à sombra dos acontecimentos e não fazer acontecer, ou seja, o País não é senhor do seu existir nem é senhor do seu destino.

Foi assim durante anos, mas hoje é notória uma vontade política “real” de reverter o quadro. P orém a estratégia usada para atingir essa meta parece contradizer o objectivo traçado. Albert Einstein definiu a insanidade como a tendência de continuar a fazer a mesma coisa e esperar por resultados diferentes, e no caso concreto do País, há que mudar a estratégia sob pena de levarmos a nação à insanidade. Para reverter a pobreza antropológica é imperioso eliminar os focos de dependência, embora nação alguma seja totalmente independente, e não é isso que se quer.

Para o básico e/ou essencial, o País tem de ter autonomia e isso não se consegue com o olhar para fora, a vinda de investidores estrangeiros deve ser estimulada e acompanhada. Os sectores virados o para investimento estrangeiro devem ser estrategicamente definidos.

É necessário potenciar o produtor nacional não só para incentivar a concorrência mas para assegurar que a produção de bens e serviços essenciais estejam salvaguardados. O Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituições das Importações (PRODESI) deve superar o seu antecessor, o Angola Investe e, ainda mais importante, deve ser inclusivo. Isto é, ser implementado numa parceria entre o Estado, os empresários e centros universitários de investigação científica. Este olhar para dentro na busca de soluções deve ter primazia face o olhar externo. Uma não deve substituir a outra, até mesmo porque o capital maior parece estar fora de portas, porém se for bem conduzida a política de atracção de investimento combinada com o fomento do empresariado nacional, teremos a solução perfeita para combater a dependência excessiva das importações.