O futuro do conteúdo local

Angola /
29 Nov 2018 / 17:42 H.
Aylton Melo

Desde que os Estados Unidos da América (EUA) se tornaram o maior produtor mundial de petróleo em 2014 ao produzir 11,6 milhões barris diários, que o preço do brent demora a sair da hecatombe. O facto é que há excesso de estoque nas reservas dos maiores consumidores, os EUA e a China.

Aponta-se igualmente, motivações geoestratégicas na definição do preço do petróleo nos mercados internacionais para sanções por parte dos EUA a oito países importadores de petróleo cru iraniano, que estão a desacelerar a demanda.

Mas nem mesmo a tese histórica da volatilidade cíclica dos preços terá hoje muita relevância, embora persista ainda a lei da procura e oferta, e a formação dos preços, não será a causa primária.

A verdade é que os tempos e as vontades são outros e como se sabe, quem paga com isso são as economias pouco diversificadas e fortemente dependentes do ouro negro, como é o caso de Angola.

A razão por trás disto é quase imperceptível para muitos, mas o que está acontecer, há já alguns anos, é o início de uma revolução tecnológica, sem precedentes. Não se trata da revolução na produção petrolífera norte-americana, baseada no mineiro de xisto betuminoso. Tratam-se das inovações científicas nos campos quântico e nano tecnológico. Estes poderão excluir o combustível fóssil, mais cedo do que se pensa, que vão esgotar-se as grandes reservas planetárias de crude em off shore e on shore.

Ainda que o petróleo continue a ser relevante para a economia nacional por mais algumas duas décadas, não o será de facto, nos mesmos moldes em que financiava a economia até os dias de hoje. O País tem de olhar para o local Content, como uma das vias de diversificação, modernização e desenvolvimento da economia. Isto significa que o futuro do “conteúdo local” depende de decisões políticas que vão numa outra perspectiva, contrária a que se observa.

Não podem ser apenas prestadoras de serviço à indústria petrolífera, ou seja, para “para o fornecimento dos produtos à indústria, bem como também o fabrico de equipamentos”, como foi referido esta semana, à margem da 2.ª Conferência e Exposição sobre Conteúdo Local na Indústria do Petróleo e Gás em África, promovida pela Organização dos Produtores de Petróleo Africanos (APPO).

Se houver um forte compromisso do Estado em potenciar mais a indústria petroquímica, no sentido de desenvolver pequenas e médias indústrias de bens e serviços, nos

próximos anos, Angola tornar-se-á num exportador dedezenas de produtos derivados do petróleo em toda a sua cadeia, ou seja para o fabrico de produtos que usamos todosos dias, que vão além da gasolina, os lubrificantes, plásticos eo alcatrão.