O Day After

Por: André Samuel 

Antecipar os acontecimentos e arriscar é um dos factores que separa os empresários bem-sucedidos dos demais. A capacidade de olhar mais adiante e pensar no day after não é algo que os manuais fornecem, evidentemente a orientação é dada, mas a habilidade (se não for inata) deve ser desenvolvida na prática.

O País atravessa um momento recheado de sinais sobre o futuro, o Governo faz a sua parte bem ou pouco mais ou menos, mas faz o possível para reverter a actual conjuntura económica adversa. E os empresários? Pergunto eu. Está a leitura a ser feita com olhos de ver, ou estamos atónitos a aplaudir os discursos do “hoje” e a esperar o tão desejado amanha para agir.

O amanhã pode ser traiçoeiro, se os investidores internacionais aceitarem em massa o convite feito pelo Presidente da República, João Lourenço, nas diversas oportunidades que teve e, atentos aos sinais desembarcarem no País com o capital e o know-how, sem uma lei que force parcerias e dispostos a competir por uma posição dominante no mercado.

A hora de cooperar para competir já começou, a corrida não é justa e o tiro de largada já foi dado. O ambiente de negócio não espera pelo amadurecimento da classe empresarial nacional. Os destemidos começaram já a seleccionar as parcerias estratégicas, a consultar a título individual potenciais parceiros internacionais. Pretendem estar aliados aos mais fortes para não constarem das estatísticas de empresas extintas ou falidas nos próximos tempos.

O modelo de negócio sofrerá de igual modo inúmeras transformações. Importar para comercializar será actividade para principiantes. O Estado não só cria as bases para o desenvolvimento por via do investimento em infraestruturas, fá-lo também na escolha das suas despesas.

A necessidade de aumentar as importações de bens de capital e de consumo intermédio como recomendam as instituições internacionais que cooperam com o País, ditam a qualidade do investimento a ser feito.

Produzir para transformar deixa de ser um slogan exclusivo da Sonangol e deve ser adoptado por todos, principalmente a classe empresarial privada. O peso do Estado na economia, muitas vezes contestado, deve ser aliviado pela classe privada.

Para o efeito, as iniciativas não devem ser semelhantes às praticadas antes da crise, caso forem, qual será a lição herdada? A aposta privada deve estar fortemente virada no sector produtivo e na transformação. Os apoios públicos e os incentivos para este sector para empresários nacionais com parceiros internacionais devem ser diferenciados. Aprendamos com as experiências do passado, ousemos abrir as fronteiras, atraia-se o investidor estrangeiro em ambiente de parceria saudável. Esta deve ser a aposta. Urge agir hoje visando o amanhã.

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