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Menos taxa de juro, créditos, nem tanto

Angola /
31 Mai 2019 / 15:46 H.
Aylton Melo

O Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (CPM/BNA) decidiu recentemente baixar a sua Taxa Directora, intitulada “Taxa BNA” em cerca de 0,25 pontos percentuais dos anteriores para 15,05%. O supervisor tenta de forma administrativa promover a baixa da inflação a níveis abaixo dos dois dígitos, que justifiquem em grande medida a manutenção do ciclo de redução das taxas de juros. Desta forma, o banco central vem acompanhar a trajectória decrescente da inflação homóloga que baixou 1,9% para 17,36%.

Entretanto, a Taxas BNA tende para uma curva descendente há mais de um ano, o que de algum modo pode promover o crédito à economia.

De acordo com o supervisor, em Abril, “o stock do crédito em moeda nacional registou uma expansão mensal de 2,6%, face à relativa estabilidade registada no mês de Março. Nos últimos 12 meses, decresceu em torno dos 1,41%”. Um aumento tímido. A verdade é que quer o aumento quer a redução da Taxa Directora tem implicações na economia.

Quando o Banco Central aumenta a taxa de juros, os bancos e às empresas tiram maiores proveitos investindo nos títulos de Dívida Pública. Mas, as empresas e famílias menos capitalizadas deixam de aceder ao crédito para o consumo e para outros fins. Então, se o aumento da taxa BNA atrai mais aplicações em títulos públicos, a redução dessa taxa retira a atractividade destes.

Por efeito, os bancos deverão em teoria aumentar o crédito à economia. Assim, pode-se dizer que os agentes económicos beneficiam de forma artificial, porque vão poder directamente aquecer a economia, e promover automaticamente uma relativa, mas que deve ser controlada, um contínuo recuo da inflação, porque o factor “lei de mercado” faz com que a queda na procura baixe os preços dos produtos e serviços.

Mas, não é dado certo que o ritmo da economia acelere a curto prazo, a medida que as taxas de juros caiam. O que se espera, a médio prazo é que a produção nacional aumente. Mais uma vez, ao manter-se essa tendência, será igualmente interessante observar a actuação do Banco Central, no sentido de dissuadir os bancos comerciais, que reduzam também a taxa cobrada aos clientes de forma a mantê-la dentro do spread regulamentado. Os bancos, entretanto, estão agora mais prudentes na concessão de créditos, porque alguns têm já a sua conta de exposição, em relação ao crédito vencido. Nesta ordem de ideias, aqueles agentes com maior capacidade financeira e com mais garantias serão, portanto, os primeiros a beneficiarem com a queda dos juros, podendo aumentar a sua margem de negociação com a banca.