Mais atracção de investimentos

Angola /
14 Mar 2019 / 12:11 H.
Aylton Melo

Esta semana a consultora Deloitte publicou o estudo “Africa Construction Trends 2018”, segundo o qual o sector da construção na região de África Austral, que inclui Angola. O País é o segundo com mais projectos de construção na região Austral.

O crescimento face ao ano anterior, foi de 11% no número de projectos (de 93 para 103) e de 40% no valor dos mesmos (de 89,7 mil milhões USD para 125,4 mil milhões USD). A África do Sul foi o país que registou maior número de projectos nesta região (36%), seguido de Angola (15%) e Moçambique (14%).

O curioso é que, em países como Angola e Moçambique, os Governos continuam a ser responsáveis pela promoção da maioria dos projectos (70%) e pelo seu financiamento (30%).

“Angola continua a ser o principal país da região sul do continente africano, no que toca à construção, detendo cinco dos 10 principais projectos em desenvolvimento. Quando olhamos para a região como um todo, Angola representa cerca de 1/3 do valor dos projectos. Importa realçar que os dois principais projectos referidos no estudo são do sector petrolífero – Kaombo, Block 32 e Refinaria do Namibe e que cerca de 5% dos projectos nesta região são realizados por empresas portuguesas”, refere Joaquim Oliveira, sócio da Deloitte.

Este estudo é uma mostra de que a economia começa a despertar de novo para o investimento, pena que os conhecidos constrangimentos continuam a não promover nem a atrair o investimento estrangeiro directo.

A questão que se coloca é se o Governo estará em condições de deixar de atrelar a si o investimento em infra-estruturas, energia, água, saneamento, saúde, educação e agricultura. E, por mais quanto tempo?

Angola gastou em infra-estruturas 87,5 mil milhões USD nos últimos 15 anos, sem grandes resultados, segundo um estudo do Instituto de Relações Internacionais britânico.

Será necessário combater os dilemas da falta de transparência e assunção de responsabilidades. Tudo indica que as reformas em curso parecem corrigir as principais falhas apontadas, como a fraca fiscalização ou fiscalização conivente.

O estudo apontava que se devesse melhorar questões como a ausência propositada da supervisão do investimento público, excesso de ambição e orçamentos irrealistas, além de erros no planeamento ao nível da viabilidade ou dos riscos de corrupção.

2019podeser o ano dos investimentos em áreas que até agora têm sido descuradas. Se as infraestruturas foram, são e serão importantes, pensamos que a tendência pode ser contrariada desenvolvendo outras áreas, sobretudo a indústria e a agricultura.