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Inflação:doença controlável

01 Nov 2019 / 09:54 H.
Aylton Melo

A decisão do Comité de Política Monetária (CPM) do Banco Nacional de Angola (BNA) ajustar de 17% para 22% o coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional estará a enxugar a massa monetária em poder dos agentes económicos e elevar ainda mais os níveis das reservas bancarias. Assim, tal como analisamos no destaque desta edição, as notas e moedas em circulação representam apenas 24% face os 76% que estarão em reservas bancarias.

Até a data assistiu-se ao crescimento da base monetária, que em termos acumulados desde o início do ano à Setembro cresceu 15% para 1,8 biliões Kz, de acordo com as

estatísticas monetárias e financeira do BNA.

Entende-se que essa decisão vem a propósito da manutenção da taxa de inflação em 15%, no ano em curso. A final, como sabe, a subida generalizada dos preços é uma doença que resulta do excesso de moeda nacional em circulação. Mais da quantidade do que na produção. Mas isto é só o princípio do problema, porque devemos distinguir a causa inicial da causa última desse fenómeno monetário.

Os monetaristas acreditam que só os governos controlam a quantidade de dinheiro que circula na economia.

É assim nos EUA, Reino Unido, Nigéria e naturalmente em Angola. No nosso caso, só o Banco Central tem a capacidade e o poder para provocar ou controlar a inflação. Mas nenhum governo em parte alguma aceita a culpa pela subida dos índices de preço ao consumidor (IPC).

Se não culpam os empresários de má fé, que fomentam a especulação de preços, culpam os consumidores perdulários. Mas, na verdade só o Banco Central tem capacidade de imprimir, deixar de imprimir ou de restringir os kwanzas em circulação. Não é por acaso que vai colocar a partir do próximo ano uma nova família de moedas de maior valor facial.

Certamente não será só por razões de segurança (contrafacção da moeda nacional) também é uma forma de reduzir a quantidade de notas e de reconhecer a desvalorização da moeda.

Mas voltando a inflação, depois e atingirmos níveis preocupantes em Dezembro de 2017, a inflação até ao terceiro trimestre do corrente ano de 2019 cresceu a um ritmo mensal médio de 1,2% face ao ritmo de 1,4% observado em 2018 e de 1,7% no ano anterior.

A redução no ritmo de crescimento da inflação foi impulsionada pela implementação do anterior regime cambial

de flutuação em bandas, que proveu uma depreciação controlada da moeda nacional, auxiliando na contenção das pressões inflacionárias na economia. Podemos afirmar então que os níveis ainda estarão controláveis (19%), segundo as previsões para 2020.