Fugir das curvas

Angola /
06 Dez 2018 / 12:35 H.
Ricardo David Lopes

A eventual revisão do OGE2019, por causa da queda do preço do petróleo das últimas semanas, não deve assustar Executivo nem angolanos em geral. É normal que as previsões falhem – mesmo que sejam apoiadas por organizações internacionais. E vale mais prevenir do que remediar.

As receitas previstas baseiam-se numa média do preço do petróleo (68 USD/ barril) que, não se verificando, vai causar desvios na possibilidade de execução da despesa pública, com

efeitos no dia-a-dia de todos nós. Não seria a primeira vez que tal acontece, mas o contexto, mais do que nunca, pede cautela.Angola está a negociar um acordo de financiamento com o FMI. Sobre as negociações, pouco ou nada se sabe, pelo menos até ao momento em que fechamos esta edição (madrugada de quinta-feira, dia 6).

Os mercados estão atentos ao desenrolar deste processo, que pode ter implicações importantes na capacidade de Angola recolher financiamento em moeda estrangeira, por via, sobretudo, de ganhos de credibilidade. Conhecer o andamento das negociações era importante e útil, até porque é provável que todos sintamos na pele, de alguma forma, as ‘contrapartidas’ a dar pelo Governo. Se o preço do petróleo ficar abaixo do orçamentado, será difícil, ou impossível, cumprir as metas que o OGE impõe, incluindo no que diz respeito ao superavite de 1,5%, após anos sucessivos de défice orçamental. A reunião de ontem da OPEP – ou outras que ocorram – pode ajudar a fazer o preço do petróleo subir, mas é do petróleo que devemos ‘fugir’ – como todos sabemos.

Angola precisa, acima de tudo, de investimento, nacional e estrangeiro, fora do petróleo. Sem ele, e perante a incapacidade do Estado em investir significativamente na economia, não iremos longe. Mas também precisa de comunicar mais e melhor, ao nível do Governo e como País. E de ser mais realista nas metas e nos objectivos que traça, para não estar sempre a ser apanhada na curva do caminho.