Foco: peneira da complexidade?

Angola /
29 Abr 2019 / 17:26 H.
Benjamim M bakassy

Como gerir empresas, liderar equipas, motivar pessoas, e manter a motivação pessoal em momentos exigentes? Resumidamente: Foco. Foco profissional, foco pessoal, foco. Os novos paradigmas do sucesso tendem a projectar a vida empresarial, como sinónimo de uma experiência cujo grau de intensidade exige abraçar vários projectos simultaneamente, de forma sobreposta, e multifacetada.

Tudo, no mundo empresarial, está hoje, envolto em complexidade. Quando falamos sobre serviços e produtos, falamos em cadeias de valor. Quando falamos de comunicação, falamos em canais online, offline, b2b, b2c. Quando falamos em estratégia, falamos em responsabilidade social, segmentos de mercado, pessoas, capital humano, marketing, operações, finanças, contabilidade.

O grande risco é a eventual incapacidade de cumprir com todos os compromissos, não por falta de vontade mas pela imutabilidade da realidade: o dia tem e terá sempre “apenas” 24 horas.

Confrontamo-nos de forma crescente com empresários, gestores, e empreendedores, com uma contagiante vontade de concretizar “mil-e-uma oportunidades”, todas elas com “deadlines” e metas escrupulosas, por vezes virtuosamente inexequíveis. A capacidade de gerir diversos projectos é o

“pão-nosso-de-cada-dia” no mundo da gestão contemporânea.

Quer seja pela necessidade de arriscar em dezenas de projectos para que um seja bem sucedido, ou pela simples e esmagadora vertigem empreendedora de criação de novas soluções para os mercados, ou ainda os adventos de melhoria continua e gestão da qualidade. Do ponto de vista comportamental, sabemos hoje que, nem todas as pessoas, e consequentemente, nem todos os profissionais, têm os mesmos níveis de energia disponível sendo que, para além da energia disponível, é necessário ter em conta como e para onde esta energia é, ou deve ser direcionada.

O “Foco” – com “F” maiúsculo – está na moda, mas a verdade é que sempre ouve foco no mundo das empresas. Contudo, o foco de que falamos hoje, difere do que se mencionava no passado. No passado o mesmo – foco – era apenas para que se cumprisse com objectivos.

O foco de hoje serve para transformar “passos-maiores-do-que-as-pernas” em passos de gigante. Parafraseando Steve Jobs: “Algumas pessoas acham que foco significa dizer sim para a coisa em que se irá focar. Mas não é nada disso. (Foco) Significa dizer não às centenas de outras boas ideias que existem. É preciso selecionar cuidadosamente.”