Estratégia comida pela cultura? Sim ou não?

China /
05 Mar 2019 / 19:46 H.
Naiole Cohen

A ideia para este título pode soar a chocante mas de facto Peter Drucker sempre foi muito pragmático em defender as suas teorias de gestão em ambientes competitivos. Não é possível ignorá-lo, sobretudo num período em que existe um movimento de reestruturação e de reposicionamento estratégico nas empresas (e países) a nível mundial. Não basta melhorar os balanços e rever os custos operacionais, é preciso ir mais a fundo e criar um movimento com sentido de visão, missão e de valores comuns. Esse movimento, não é nada mais do que a criação de uma nova “cultura corporativa”, de uma nova dinâmica, de uma identidade que motive e leve ao progresso e à criação de mais-valias.

A competição, cada vez mais agressiva, obriga a esta evolução na forma de estar. Exemplos não faltam para ilustrar o impacto de como a cultura corporativa é um dos pilares fundamentais da gestão que podem ditar a performance ou a falência.

Mas quem disse que cultura não é parte da estratégia?

Empresas de sucesso são descritas como tendo uma “cultura”. Twitter, Google, Facebook, Nike, Chevron e tantas outras. Ocorre o mesmo com os países como Alemanha, Singapura, China ou Canadá, onde imediatamente nos ocorre um adjectivo que reflecte a “identidade” e a cultura de performance. O que significa que o posicionamento no mercado reflecte as opções de estratégia de marketing e de operação desde a sua concepção.

Essas entidades, quer sejam corporativas ou países, são transversalmente percepcionadas como sendo inovadoras, éticas e boas para desenvolvimento profissional e humano. Partilham igualmente outras características, tais como o forte sentido de direcção e de objectivos com propósito. Uma forte liderança com um papel vital na motivação e no exemplo. Isso é estratégia ao mais alto nível, com uma dinâmica incremental brutal.

O que Peter Drucker relembra é que é preciso criar uma cultura, seja ela de profissionalismo de rigor ou de relaxe ... o que lhe quisermos chamar ... o importante é criar uma visão e valores para que seja possível mobilizar pessoas para os resultados que se pretende.

Pessoas, empresas e países de sucesso, criam um espírito de pertença de orgulho de “vestir a camisola”, de querer fazer sempre mais e melhor. Reforçam os valores, atitudes e comportamentos da cultura e dos objectivos a que se propõem.

Não basta para as empresas e/ou países terem uma boa estratégia de produto, de mercado ou de desenvolvimento. É preciso insisto criar uma cultura, uma identidade com impacto motivacional comum. Não se apregoa aqui uma cultura melhor que outra, não há perfeição, simplesmente importa reflectir que culturas corporativas diferentes obtêm resultados diferentes, pois essas regras “não escritas” são influenciadas pelo meio externo na qual as empresas e pessoas estão inseridas. Ingredientes que a liderança tem que discutir desde o primeiro dia e quanto mais consciente melhor.

Não nos esqueçamos nunca de Sun Tzu (544-496 a.C.), estratega chinês e autor da “A Arte da Guerra”, um dos clássicos mais influentes de todos os tempos sobre estratégia, que vem avisando desde então: A estratégia sem táctica é o caminho mais lento para a vitória. Táctica sem estratégia é o ruído antes da derrota.

Que cultura corporativa queremos para Angola? A resposta será uma cultura positiva com ingredientes de excelência e responsabilização. O tema é complexo e leva tempo a implementar mas a hora de pensar estrategicamente é agora, para não corrermos o risco de nenhuma estratégia existir e no final do dia tudo que fica é o selo do “Isto é Angola” em vez de ser “Made in Angola”.