Estancação do crédito vencido

Angola /
06 Mai 2019 / 15:11 H.
Aylton Melo

O Instrutivo do Banco Nacional de Angola (BNA) nº 04/2019 de 26 de Abril, que referente “as condições e procedimentos a observar pelas instituições financeiras bancárias na concessão de crédito”, é digno do velho adágio: antes tarde do que nunca. Mais merecedor talvez pela desconstrução: antes tarde do que mais tarde. O BNA com o referido instrutivo pensa “promover a concessão responsável de crédito, minimizando o risco de incumprimento, nos termos, condições e procedimentos” que finalmente têm caracter obrigatório.

Torna-se evidente que o banco central tenta de forma eficiente e eficaz estancar, tanto quanto possível, o crédito vencido, que a banca comercial nacional tem estado a acumular, pelos menos nos últimos 10 anos. Estima-se que o também denominado mal parado na banca te já ascendido os 31% da carteira de crédito concedido.

Esta é uma reacção, há muito esperada, face os problemas provocados pelos créditos vencidos indexados ao dólar norte-americano, há cerca de uma década, quando a moeda nacional ainda estava artificialmente estável, promovida pela dolarização da economia.

A Economist Intelligence Unit (EIU) espera uma “melhoria modesta” no crescimento do crédito à economia angolana este ano, alertando, no entanto, que as barreiras vão manter-se e que as dificuldades de financiamento das pequenas empresas vão continuar.

“O acesso ao crédito continua fraco, apesar dos esforços do Governo, juntamente com políticas de diversificação económica lançadas pelo Presidente João Lourenço”, escrevem os analistas da EIU, concluindo: “Acreditamos que esta medida do BNA vai ajudar a aumentar o acesso ao crédito para as empresas que operam ao abrigo de programas que visam a estimular a produção nacional”, tais como o Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI) e do Regulamento da Cadeia Comercial de Oferta de Bens da Cesta Básica e Outros Bens Prioritários de Origem Nacional.

Contudo, tais programas de diversificação económica vão ter um efeito relativamente limitado, já que os níveis de investimento continuam baixos devido ao fraco ambiente de negócios e de actividade empresarial. Alias, como foi reconhecido na segunda conferência do Ciclo Moldar o Futuro, pela consultora EY, sob o tema será “O Caminho Para a Diversificação”. Há ainda uma nuvem de desconfianças, dúvidas e questiona-se a exequibilidade, das medidas, se estão ou não na direcção certa para a criação do ambiente que permita à banca gerir e conceder créditos, por via desta, sejam reanimadas a economia real, produção e a criação de emprego.