Disciplina financeira, factor de sucesso

Por: André Samuel 

A disciplina é uma palavra que nos leva, maioritariamente, para o lado negativo do termo. Para alguns é sinónimo de castigo ou correcção, para outros é sinónimo de sucesso. Ambas interpretações dependem de como fomos educados a encará-la.

Em todas as facetas da vida profissional ela é imprescindível, caso contrário é impossível considerar uma empresa como uma “organização”, ou mesmo haver equidade no processo de gestão. Quer para instituições privadas, quer para o Estado, a disciplina financeira está na base do sucesso e sua ausência é reflexo de fracassos, colapsos e crises (sem excepções). Países como Alemanha e Japão são conhecidos pelor seu elevado senso de disciplina.

A sua resiliência face às adversidades económicas revela que deter recursos naturais não constitui garantia de sucesso nem do contrário, mas a organização e/ou gestão enraizadas num modelo de disciplina assente na cultura do indivíduo, gestor e político, a seu termo, supera as carências, as conjunturas sociais e económicas adversas.

Uma outra realidade não muito distante e um modelo para Angola, talvez seja Cabo Verde, um país cuja fonte principal de riqueza é o turismo. O seu modelo de gestão e a sua política económica são referências reconhecidas por instituições internacionais. E isto acontece porque em CaboVerde se pauta por um regime de ordem livremente consentida e que convém ao funcionamento normal de uma organização.

Como resultado dessa démarche, há um elevado índice de superação na formação do seu capital humano, um baixo índice de corrupção, um crescente desenvolvimento do ambiente de negócio onde, em 10 minutos, é possível constituir uma empresa. De acordo com a Prime Consulting, não existem modelos perfeitos mas sim mais aceitáveis.

Disciplina exige comprometimento, ética e organização. Com esforço, é possível mensurar o que Angola terá perdido na última década em termos financeiros, devido ao gritante défice de disciplina na gestão dos recursos públicos, mas certamente será impossível quantificar o que o País deixou de ganhar por essa mesma razão.

Só podemos constatar que houve crescimento, porém sem desenvolvimento. Hoje, o futuro parece mais risonho, a luz no fundo do túnel parece mais intensa, porém, se a disciplina orçamental, a ética e a organização não estiverem no ADN dos novos gestores públicos e privados, o País arrisca-se a mergulhar no ciclo vicioso (e venenoso) do colapso e de sucessivas crises económicas e sociais. Assim aplica-se a dualidade do termo, haja disciplina para não ser disciplinado.

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