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Crédito predatório reverso

04 Out 2019 / 13:24 H.
André Samuel

Depois da crise económica de 2008 nos EUA, o fenómeno dos créditos predatórios ganhou destaque, numa altura em que as instituições de crédito receavam conceder empréstimos e o consumidor estava havido ou necessitado de financiamento. O oportunismo ganhou corpo e a pratica se estendeu.

Mas o que é de facto o crédito predatório e o seu reverso? O conceito gera pequenas discussões, mas essencialmente é quando uma instituição de crédito concede um empréstimo sem levar em conta (propositadamente) as reais capacidades de o beneficiário pagar a dívida com o objectivo de se apropriar dos bens hipotecados.

No nosso caso, o crédito é predador reverso, isto porque os bancos em determinados casos e propositadamente não fizeram o devido estudo de viabilidade, de forma discriminada, tendo em conta a figura do devedor, mas não porque estes estavam vulneráveis, antes pelo contrário, gozavam de privilégios face aos demais devedores.

Como consequência, os bancos assumem até hoje o passivo face a inadimplência. Se no empréstimo predador normal os lesados são os consumidores, no reverso o ónus recai para as instituições de crédito.

Porém, mesmo sem ser predador, grande parte do crédito no País não oferece as condições para o contratante cumprir com as suas obrigações, como juros altos e prazos curtos. Esta verdade está refletida no volume do malparado que a banca suporta.

Mas há quem defenda que não foram os juros os causadores do malparado, mas sim as condições macroeconómicas do País e do mundo. Não é de todo certo, pois na verdade foi a combinação das duas situações. Mas em todos os casos, é da responsabilidade dos bancos preverem todos os cenários, e se os juros fossem mais baixos aumentariam as probabilidades do consumidor cumprir com as obrigações mesmo neste contexto adverso.

Por sua vez os bancos não deixariam de ter lucros se reduzissem as taxas praticadas, o que aconteceria na realidade é que as margens de ganho reduziriam no curto prazo, mas seria compensada com os ganhos que o nível de cumprimento traria.