Ano decisivo ou mais uma década

Angola /
04 Jan 2019 / 15:23 H.
Aylton Melo

2019 será um ano decisivo para o relançamento da economia nacional, num momento em que se debate para sair da recessão. E, por isso é pouco crível que se materializem as perspectivas de crescimento observadas no Plano de Desenvolvimento Nacional (sector não petrolífero 4,4%) e o crescimento do PIB de 3,1%, estimado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Aliás, muito perto da previsão de crescimento mundial, 3,5%. Até mesmo porque o crescimento nas economias mais desenvolvidas foi revisto em baixa. Duas excepções relevantes são a China e a Índia que crescerão acima dos 6%. Poucos serão os países que crescerão acima de 2%. A zona euro, onde a inflação é considerada 0, será 1,9%, segundo o FMI.

O Brasil crescerá 2,1%, devido às incertezas ainda significativas quanto à aprovação de reformas. Angola precisará de no mínimo uma década para repor os empregos perdidos, valorizar a sua moeda, baixar os níveis de inflação, aumentar a produtividade da população activa no sector produtivo não petrolífero e desenvolver a sua economia.

Mesmo com marcos definidos, como fez a gigante Índia, salvaguardas as singularidades de ambas economias. A economia angolana pode ser potencialmente vista como uma Índia em miniatura, se considerarmos as semelhanças.

A Índia é considerada uma das possíveis grandes potências das próximas décadas, isso porque demonstra um expressivo crescimento, tanto populacional, quanto económico. A região na qual o gigante asiático está inserida é uma das mais pobres do mundo e, apesar da industrialização indiana que se destaca no cenário mundial, as condições são insuficientes para suprir as necessidades da imensa população. Assim, são expressivos os níveis de desnutrição e pobreza na região. Tal como Angola tem importantes reservas minerais. Boa parte da população, desenvolvendo actividades produtivas relacionadas principalmente à agricultura.

As planícies são historicamente os locais favoritos pelas populações para desenvolverem as suas actividades, especialmente nos locais onde existem rios. Mas onde Angola demorou a acertar o passo, despertando só agora, está a ser a chave de sucesso do crescimento económico da Índia. Este país destaca-se especialmente desde a década de 1990, quando se abriu no contexto do mercado mundial, recebendo investimentos estrangeiros.

A Índia investe em tecnologia e formação profissional, além de um intenso processo de industrialização com incentivos do governo em diversas áreas (subsídios) e a criação de Zonas económicas Especiais voltadas para a exportação. E, Angola onde estará daqui a uma década?