Alta Direcção de Empresas: Sociedades “performantes”

Angola /
15 Mai 2019 / 09:21 H.
Benjamim M bakassy

Agestão de empresas não é um exercício fácil. E para piorar a situação, quanto maior a empresa, maior o seu impacto na sociedade.

Como diz um melhores gestores do século XX e quiçá XXI, António Horta-Osório no prefácio do Livro “Organizem-se” de Filipe S. Fernandes:

“(...) o segredo das sociedades “performantes” (é) uma adequada articulação universidades/empresas, em que uns investigam e teorizam e os outros executam e implementam, e extraem valor para a sociedade, embora nem sempre, uns e outros, por esta ordem.”

A relação entre investigação/teorização e execução/implementação tem vindo a tornar-se cada vez mais disruptiva sendo que a primeira não necessita estar inserida em contextos académicos mas igualmente em “think thanks” promovidos por instituições sem fins lucrativos ou empresas. Neste contexto, a investigação é levada a cabo por especialistas, que por outras palavras são representativos da alta direcção em um determinado tema, assunto, ou área.

Sem menosprezar as linhas de gestão táctica e operacional, é necessário que ao nível da alta direcção das empresas exista um nível de competências técnicas e humanas que permita – às organizações – pelo menos a capacidade de observar e interpretar o seu contexto para primeiramente sobreviver, depois projectar o futuro, e consequentemente crescer.

As organizações podem falhar por causa de factores endógenos ou exógenos, sendo que quando falamos de alta direcção, não podemos abdicar de competências que permitam antecipar e gerir ambos os cenários.

A alta direcção deve pensar o longo-prazo, percebendo a diferença entre custos e investimentos, entre formação e desenvolvimento, entre benefícios e qualidade de condições de trabalho, entre eficácia e eficiência, entre produção e produtividade, entre quota de mercado e competitividade.

O impacto que as empresas têm hoje na sociedade incluiu desde os sintomas e índices de empregabilidade ao rendimento das famílias, da capacidade de gerar riqueza de uma economia à liquidez do sistema tributário, da balança comercial nacional aos índices mundiais de qualidade de vida.

As empresas não são organismos que nascem ou sobrevivem por vontade própria ou por mera coordenação de factores. As empresas são geridas por pessoas cujas decisões são causa e motivo de sucesso ou fracasso.

Nenhum gestor possui uma bola de cristal para prever o futuro ou tomar decisões baseadas em informação graciosa. Contudo, a responsabilidade – por vezes ingrata – dos cargos de alta direcção, é fazer o seu melhor para que assim pareça.

Duas grandes chaves para a alta direcção são a experiência, e educação. A atenção aos detalhes tem tanto de instinto quanto de treinamento.

A alta direcção exige alta performance, e ao nível de responsabilidades em que se insere, a aprendizagem é continua, e o desenvolvimento de competências inatas é constante.

A articulação entre conhecimento básico e conhecimento refinado transforma-se no exercício entre teoria e prática. Nem tudo o que pode ser articulado em ideias pode ser transposto para a realidade.

À semelhança da composição de uma sinfonia, a alta direcção deve conseguir idealizar a certeza sublime, mas nunca esquecendo que é na execução que a obra se torna realidade.

É na mutação da teoria para a prática que o impacto do conhecimento se transforma em sabedoria. A dimensão académica serve para fornecer ferramentas básicas, que muitas vezes até parecem apenas senso comum. Porém, no básico reside a base sobre a qual são construídos os fundamentos necessários para a vida empresarial.

Não é um fenómeno recente o facto de diversos gestores de topo frequentarem cursos para formação de executivos nas mais destacadas escolas de negócios do mundo.

Por um lado trata-se de um testemunho da humildade necessária para o desenvolvimento continuo, por outro trata-se do novo paradigma da alta direcção.

A atenção ao detalhe – e ao impacto das empresas na sociedade – pode ser aprimorada de forma interdisciplinar com treinamento, formação, desenvolvimento, mentoria ou/e coaching.

Terminando com palavras de António Horta Osório: “...não há em comércio, nem em contabilidade, problemas que não sejam fundamentais, pois é sabido que, tanto em uma coisa como em outra — em tudo que envolve método —, um lapso de detalhe pode acarretar consequências desastrosas”.