Alavancagem do desenvolvimento sustentado

Por: André Samuel 

Por anos deixámos de ouvir o adágio “A agricultura é a base, e a indústria, o factor decisivo”, mas nem por isso se tornou menos verdade.Talvez o esquecimento da relevância do assunto esteja na base da excessiva dependência da importação que o País vive.

A experiência dos países desenvolvidos ensina-nos que o trilho, por nós esquecido, foram as revoluções ocorridas nestes dois sectores, nunca dissociados e hoje mais unidos que nunca, um casamento definido numa só palavra: “agroindústria”.

No estágio actual do sector no País, só uma chuva de incentivos e financiamentos fará acordar o gigante gerador de desenvolvimento sustentado. Para o efeito, o Estado, a banca, os produtores e a sociedade devem, cada um à sua medida, desempenhar o seu papel.

Ao Estado cabe a incumbência de criar ou melhorar as condições básicas, infra-estruturas como vias de comunicação, canais de irrigação, instituições responsáveis pelo desmatamento e preparação de terrenos para desonerar o agricultor, os pacotes de incentivos fiscais.

As subvenções ajudam a reduzir os custos de produção e a tornar os preços mais acessíveis aos consumidores. Os investimentos nos centros de análises laboratoriais e a prática de preços ajustados à realidade dos produtores reforçam a qualidade dos produtos e a confiança dos consumidores. Quanto à banca, o seu papel é decisivo.

Sem o financiamento, ou melhor, sem o compromisso com o desenvolvimento sustentável, o sector caminhará a passos lentos. Os agricultores não são mais especiais que os demais agentes económicos, mas carecem de uma atenção à parte, por isso o modelo de financiamento deve ser diferenciado e ajustado à natureza do negócio.

As actuais taxas de juros, os prazos e, em alguns casos, os montantes disponibilizados não são compatíveis com as especificidades da actividade. O retorno é lento, mas é seguro e sustentado. Ademais, importa investir em todos os sectores da cadeia produtiva a fim de se criar um círculo virtuoso à volta deste processo.

Os produtores precisam, mais do que nunca, de perceber que o momento de ser megalómano já passou e não resultou.Há que produzir com o possível e manter um ritmo de crescimento, respeitar o compromisso com as instituições financeiras e sair da zona de conforto, ou seja, correr atrás de novos mercados, estabelecer novos contactos e, se possível, reduzir as margens de ganhos para fidelizar clientes. Se todos, de forma sincronizada, cumprirem com o seu papel neste processo, experimentaremos por certo o desenvolvimento vivido por muitos países hoje desenvolvidos.

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