Existência com criatividade: A escolha da porta

Por: Sónia Antas

Há muito pouco tempo fiz um novo amigo, que é judeu, e ele explicou-me algo que tinha de facto curiosidade: qual a diferença basilar entre os judeus e os católicos. No velho testamento vimos que Jesus nasceu em Belém de Judá, no seio de uma família judaica e toda a sua vivência se passa entre judeus e seus costumes.

A separação ideológica dá-se no facto da Profecia descrever todo um caminho do qual Jesus percorreu, com excepção de uma porta que ele escolheu “a errada”. Por este pressuposto os mais radicais nunca.

Consideraram Jesus o Messias, o Profeta esperado, aguardando-o até hoje, e os mais tolerantes seguiram Jesus e fizeram dele o Enviado, o que ressuscitou!  Estranho é pensar que a simples escolha de uma porta possa fazer assim tanta diferença, e que tenha mudado a direcção e a vida cultural e ideológica de milhões de pessoas.

A nossa vida é feita de escolhas, e de facto vivemos condicionados a acertar constantemente na porta que socialmente se acredita ser “a certa”.  Decidir que porta, ou que caminho seguir, começa então a tomar proporções mais profundas, se percebermos que tomar decisões está no centro de toda a nossa existência. Somos deste pequenos responsabilizados pelos nossos actos e logo aprendemos que “não decidir também é decidir”. Mas existir é bem diferente de ter consciência do que queremos fazer com a minha existência. E é deste autoconhecimento, desta necessidade de auto-administração da vida e do que nos rodeia, que surge o conceito de atitude! Ter atitude pressupõe agir, não existe nela passividade. Atitude é liderança. Ser senhor de si e do seu destino.

Meu objectivo é falar para as empresas, para os gestores em geral, para os pais e para os formadores, e mostrar que o modelo de existência com criatividade que promove a formação de indivíduos ímpares, faz toda a diferença.  Estamos a falar do modelo que fomenta a superação, e que permite sermos absolutamente livres e criativos, produtivos e empreendedores, cheios de atitude, conscientes do que quero, para onde vou e como lá chegar. Um mundo de escolhas e oportunidades.

O estudo da Hay Group Consulting nos Estados Unidos feito em 2015, mostrou que o único motivo pelo qual funcionários se despedem de sua empresa é a falta de criatividade delas. Isso mesmo Criatividade. Apesar de existirem uma série de outras desculpas, a gestão da carreira dos colaboradores (o que inclui falta de reconhecimento, de liberdade, de inovação, de formação) e o ambiente de trabalho (o que inclui conflitos interpessoais, comunicação interna, burocracias) são 100% das razões da perda de talentos por parte das empresas. Tudo isto se resolve com um pouco de criatividade. Permitir (e estimular) seus colaboradores a saiam da sua zona de conforto, e se aventurem por terras nunca antes navegadas é ampliar as possibilidades da sua empresa de crescimento e facturação de forma exponencial.

Não falo de loucura ou de anarquia. Falo de sistemas de informação mais permissivos, mais transversais. Falo de líderes mais acessíveis, mais próximos. Falo proximidade entre os colaboradores e ambientes laborais libertadores, que estimulem a genialidade que existe dentro de cada um. Falo de programas de criação de cultura corporativa e responsabilidade social. Falo de alinhamento interno e Endomarketing. Falo de motivação, entrega e felicidade laboral. Todos somos capazes de mais do que pensamos ser, desde que estimulados. O conceito de ninguém ser insubstituível a muito já deixou de fazer sentido, e embora os lugares voltem de facto a ser ocupados, sabemos que substituir talentos não é assim tão simples. Fazemos mesmo a diferença, e sim, sentem mesmo a nossa falta.

O processo de administração de talentos é contínuo e não é tarefa ímpar das empresas, deve ser uma cultura social. Desde cedo temos que ajudar os nossos filhos a ganhar consciência econômica, ecológica, cultural, nutricional… e incentivar  “a construirem-se”, mostrar que tudo está sempre em transformação, e que é a atitude deles perante a vida que fará a diferença. É a porta que escolherem que poderá levar a humanidade para novos caminhos.

Como fez Jesus, Sócrates, Einstein, Newton, DaVinci, Picasso, Ghandi, Hawking, Mandela, Thatcher, Jobs, Woody Allen e até Cristiano Ronaldo. Fizeram diferente até em tempos muito adversos a criatividade. Procuraram sempre a auto-superação.

Tiveram sempre muita atitude e muita ousadia!  Termino parafraseando Leandro Karnal “Tal como a vida, as empresas devem ser administradas como um bonsai, estimulando o crescimento de cada folha e de cada galho, e não como um agro- negócio. Para fazer um bonsai bonito, use sempre a imaginação.”

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