A diferença entre um atraso e faltar

Angola /
11 Jan 2019 / 13:20 H.
Ricardo David Lopes

O anúncio do encerramento de dois bancos, no final da semana passada, trouxe um sabor pouco festivo ao início do novo ano. Aparentemente incapazes de aumentarem o capital social para os mínimos exigidos pelo banco central, Banco Mais e Banco Postal viram as suas licenças serem revogadas pelo conselho de administração do Banco Nacional de Angola (BNA).

As reacções dos dois bancos à decisão do regulador são contrastantes: enquanto o Banco Postal se apressou a reagir com indignação, ameaçando recorrer à justiça, vários dias depois o Banco Mais garantiu tudo ter feito para evitar a deliberação do BNA, mas admitiu não ter sido capaz de cumprir com que desde Fevereiro de 2018 se sabia ser para cumprir a partir de 1 de Janeiro de 2019.

O primeiro alegou estar à espera de uma injecção de capital que viria de fora e de que o BNA teria conhecimento desde meados de Dezembro - e que chegaria a Luanda a qualquer momento.

O segundo, além de assumir a falha, disponibilizou-se para colaborar com todos para proteger clientes, colaboradores e parceiros.

É costume dizer-se que a humildade é um sentimento bonito, e a ideia aplica-se na perfeição a este caso. Muitas vezes, atribuímos as nossas falhas a factores externos: chegámos atrasados porque choveu, não fizemos um trabalho porque a luz foi, não pagámos uma dívida porque o patrão atrasou o salário. Neste caso: o Banco Postal não tinha o dinheiro que precisava, e que sabia que teria que o ter dia 1 de Janeiro... porque o dinheiro estava a caminho. E, sabendo o BNA desse facto, devia fechar os olhos e esperar que o dinheiro cá chegasse. Um saudoso familiar ensinou-me, em criança, a propósito da pontualidade, que há uma diferença ténue entre chegar atrasado e faltar a um encontro: chegar 5, 10, máximo 15 minutos após a hora marcada, é um atraso; mais do que isso, é faltar ao encontro.

O Banco Postal faltou ao encontro e quis que quem esteve à espera entendesse o atraso e aceitasse esperar, sendo assim injusto para com quem chegou a horas.

Se a Lei estiver do lado do Banco Postal, seguramente ele vencerá a causa nos tribunais. Até lá, devemos dar o benefício da dúvida à equipa liderada por José de Lima Massano. E que no novo ano todos cheguemos a tempo aos compromissos!