A concorrência desleal promovida por nós

Angola /
07 Fev 2019 / 12:22 H.
André Samuel

A atracção de investimento directo estrangeiro assume um papel preponderante no desenvolvimento sustentável da economia com particular incidência sobre a sua diversificação. Quanto a isso não há o que questionar, os mecanismos para o efeito têm sido implementados e melhorados sempre que tal se justifique.

A preocupação recai para a sã concorrência entre investidores estrangeiros e nacionais, onde em causa está, mais do que mero proteccionismo, uma questão de soberania económica. Podemos dizer que o investidor estrangeiro goza de vantagens competitivas contra as quais os empresários nacionais não podem fazer frente diante do actual cenário económico do País.

Estamos a falar de vantagens como apoio governamental, apoio bancário e facilidades tecnológicas. Diversos países apoiam os seus grupos empresariais com redução ou isenção de taxas para promover o investimento no exterior, assim reduzem os custos do investimento permitindo praticar margens de preços que oferecem rápido retorno do capital.

Os mesmos países incentivam a banca a apostar no investidor, criando linhas de crédito com taxas bastante apelativas, na ordem dos 4% que jamais, ou podemos até dizer que é insano, poderão concorrer em igualdade com a praticada em Angola que ronda os 20% para o sector da agricultura e 25% para os demais.

Adicionado a este factor o facto das mesmas empresas terem acesso a moeda forte com uma facilidade natural, contrariamente ao empresário nacional que para obter um crédito em moeda nacional entrega a alma para ganhar o corpo, quanto mais obter divisas para aquisição de bens de capital. Não digo que não acontece, a questão é com que facilidade e intenção. É hora de olhar para os mecanismos de incentivo e de fomento ao crédito a classe empresarial nacional, parar com as desculpas de mau pagador que os projectos não apresentam viabilidade económicas. Para essa lacuna há solução e esta passa por uma consultoria financeira que pode ser assumida órgão de apoio ao sector empresarial.