Rede de empresas de responsabilidade social será lançada esta terça-feira
The Bridge Global organiza dia 26 a 3.ª Conferência de Responsabilidade Social a Cidadania, lançando uma Rede para esta área. CEO pede acção.
Esta será a terceira conferência sobre o tema que organizam. O que traz de novo?
Esta Conferência de Responsabilidade Social e Cidadania irá abordar o lançamento da Rede Angolana de Responsabilidade Social Empresarial (RARSE), comunicando ao mercado um projecto inclusivo e que será, certamente, muito importante para o desenvolvimento do País.
Em que consiste a RARSE?
Surge como uma iniciativa de entidades parceiras e apresenta-se como uma estrutura multisectorial e multifuncional, formada por organizações de diversos segmentos e sectores comprometidas com o tema da Responsabilidade Social Empresarial (RSE). Ou seja, é uma plataforma composta pelo público, privado e terceiro sector, com o objectivo de implementar projectos de responsabilidade social que beneficiem a população angolana.
Quantas empresas espera que venham a integrá-la?
Todas as empresas e ONG’s angolanas que cumpram os requisitos para a adesão...
E quais são esse requisitos?
Ainda estamos a desenvolver alguns deles, mas, à partida, deverão ser empresas que já desenvolvam actividades de Responsabilidade Social através dos seus próprios programas, ou sendo participantes de plataformas de apoio ao cidadão angolano. Caso não façam nada nesta área da RSE, deverão vir a fazê-lo no primeiro ano, como membros associados da rede.
Outro requisito é a vontade explicita de participar financeiramente no desenvolvimento de Angola através da participação em projectos que a Rede irá implementar nas áreas de maior necessidade da população. Esses projectos serão auditados por uma auditora internacional.
Há quem confunda Responsabilidade Social com caridade. Quer ajudar-nos a perceber a diferença?
A visão da caridade tem uma origem fundamentalmente religiosa, associada à Igreja Católica, na tentativa de as pessoas pagarem os pecados ajudando outros na Terra e garantindo assim o seu espaço no céu - a “remissão dos pecados”. A origem do enfoque de Responsabilidade Social surge nos anos 50 do século XX, quando as empresas perceberam que deveriam contribuir activamente para o bem-estar social.
Quem pratica hoje Responsabilidade Social?
As empresas e as ONG’s são as que mais têm a Responsabilidade Social, e cada vez mais os órgãos governamentais participam neste discurso. Assim, vem decrescendo a aplicação deste termo como pura caridade. Por exemplo, quem doa um agasalho velho que não usa, está a fazer caridade. A Responsabilidade Social implica em ir um pouco além: não apenas dá agasalho para uma vez, mas para sempre - é ensinar ao indivíduo uma profissão ou uma actividade que lhe permita, a médio e longo prazo, comprar um agasalho novo.
Em que sectores empresariais vê mais sensibilidade?
As multinacionais têm um grande protagonismo nestas causas, até por alinhamento internacional e políticas internas e externas de RSE.
Nelas, o conceito de apoio às comunidades já é vivido a nível da gestão. Há empresas angolanas que se destacam com acções exemplares de educação para a cidadania. Mas nem sempre há a visão de continuidade necessária para que a forma de actuação junto da população mude mesmo.
O poder político está alinhado com o conceito?
É um tema que começa a ser relevante, bem devagarinho e com uma consciencialização ainda muito distante da acção.
Por isso a RARSE vem cheia de vontade de passar à acção e desenvolver projectos que sejam objectivamente soluções para alguns problemas sociais.
Deveria haver legislação que obrigasse as empresas a maior inserção no meio que as rodeia?
Para estes temas não acredito, francamente, na coacção. Ou há visão, ou não há. São as pessoas que fazem a diferença. Os gestores das empresas em Angola deverão ter essa visão, estudar o assunto e criar estruturas de implementação ou participar de plataformas. Chega de conversa, vamos passar à acção!
Que outras iniciativas a The Bridge Global vai desenvolver neste ano?
Estamos a trabalhar em vários projectos de educação para a cidadania, como o Capacitação para Professores Primários (CAPPRI), projectos na área da Acção Social, e de Tecnologias para a cidadania. Somos parceiros do Good Deeds Day, um evento lançado no nosso ultimo Fórum pela Fundação Arte e Cultura e promove acções de RSE em todo o País simultaneamente. Temos ainda mais dois Fóruns de RSeC este ano e vários eventos com empresas e universidades, para dar formações gratuitas sobre Responsabilidade Social. Com o Memorando de Entendimento assinado com o Ministério da Comunicação Social, continuaremos as formações gratuitas para jornalistas, em Luanda e nas províncias.
Olham para o exterior?
Estamos ainda a dar os primeiros passos na internacionalização da empresa em África, com o objectivo de passar o nosso know-how de Educação para a Cidadania através da Sensibilização Cívica a outros países de África. Iniciámos estas acções em 2018 e esperamos que se comece em 2019 a fazer a implementação dos projectos.