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Luanda /
26 Out 2019 / 18:58 H.

Luís Martins: “É fundamental que os bancos tenham estruturas de comunicação cada vez mais sólidas”

Director do Gabinete de Segurança de Informação do banco BAI defende que os bancos comerciais em Angola tenham estruturas de comunicação cada vez mais sólidas para poderem responder aos clientes, também de um jeito uniforme, para que não haja disparidades no tipo de atendimento prestado nas várias províncias. E, diz ainda que a adesão de Angola aos convénios da SADC e de outros países, deixa o País em desvantagem competitiva do ponto de vista do desenvolvimento das telecomunicações.

As Tecnologias de Informação e Comunicações (TIC) vão estando cada vez mais presentes nas nossas vidas, alterando vários paradigmas. E o negócio bancário não é uma excepção. Que impacto teria, nos dias de hoje, a inexistência das TIC no exercício da actividade bancária?

A área de Tecnologias de Informação e Telecomunicações, na verdade, está ligada à banca já há várias décadas. Os maiores bancos, para poderem firmar-se em territórios vastos como o nosso, dependem grandemente de comunicação com vista a beneficiarem da

centralização e automatização da sua informação, e também no controlo, para poderem atender aos requisitos regulatórios dos bancos centrais. É fundamental que os bancos tenham estruturas de comunicação cada vez mais sólidas para poderem responder aos clientes, também de um jeito uniforme, para que não haja disparidades no tipo de atendimento prestado nas várias províncias. Hoje com certeza – e refiro-me aos últimos 10 anos – a tecnologia deu um grande salto e nenhum banco que se queira expandir, tal como tem feito até agora o BAI, deve almejar tal desiderato sem se preocupar com as comunicações e as tecnologias, de forma geral, sendo estas condições indispensáveis para que o banco possa operar.

O caminho até agora feito por Angola coloca o país em que contexto, do ponto de vista continental e global?

Pelo que pude aferir, Angola está atrasada em termos continental. Temos grandes debilidades na própria capacidade de termos comunicações estáveis. O país ainda sofre, em muitas áreas, com a incapacidade de fornecimento de energia eléctrica e, como é obvio, não há telecomunicações sem energia eléctrica. Embora já haja, em muitas partes do planeta sistemas mais avançados, processos suportados pela energia solar. O que não é ainda o caso de Angola. Nós dependemos muito da nossa capacidade de abastecimento de energia eléctrica às cidades. Os grandes operadores de telecomunicações em Angola não ficam imunes à este problema. É mercados podem ser abertos, de repetente o BNA pode liberar e poderemos ter mais bancos estrangeiros preparados para esta realidade a operarem no nosso país.

Acha, por exemplo, que a falta de confiança manifestada por um bom numero de usuários no sistema de segurança associado as TIC pode dificultar a migração para era digital que está a ser feita pela banca?

Em Angola tivemos o BAI a ser reconhecido, pela segunda vez consecutiva, por instituições de reputação mundial em virtude do trabalho que está a levar a cabo para tornar as operações bancárias mais seguras. Sobretudo em relação à banca digital. Este facto é um exemplo de como, com investimento e seriedade, podemos ajudar a melhorar a confiança dos usuários na banca digital.

Temos de continuar a estar atentos ao desenvolvimento da área de segurança de informação a nível mundial. Precisamos estar comprometidos em operar no nível de segurança mais alto de todos os que existem no sistema bancário mundial.

As denúncias sobre clonagens de cartões de crédito e débito, continuam a ser feitas pelos usuários dos serviços bancários, sobretudo através das redes sociais e da imprensa. Qual tem sido a vossa abordagem em relação a este assunto?

Nós temos uma entidade, de âmbito nacional – a EMIS – que regula as transacções feitas dentro do sistema multicaixa. Estamos atentos as campanhas de sensibilização da EMIS destinadas aos utilizadores da rede bancária em Angola.

Internamente temos um programa semelhante para os nossos colaboradores que visa também alcançar os nossos clientes. Porque achamos ser é necessário reforçar a sensibilização às pessoas em relação ao uso devido dos cartões. Constatamos em alguns casos que somos nós os utilizadores que não guardamos devidamente as nossas senhas, permitindo que outras pessoas tenham acesso e façam o uso para fins próprios. Mas também temos situações de fraudes constatadas, em que redes criminosas usam aparelhos, seja nos Terminais de Pagamento Automático (TPA) ou em alguns multicaixas, para copiarem a banda magnética dos cartões.

Há quanto tempo esta tecnologia está em circulação no País?

Essa é uma tecnologia que já tem várias décadas. É usada a nível mundial. Em Angola estamos a ser vítimas de algo que já aconteceu noutros países. Nós com cada vez mais utilizadores da rede bancária, vamos registando mais situações do género. Não é que haja um aumento do número de fraudes. O que acontece é que agora há maior visibilidade sobre este tipo de crime.

Estas redes já operam há um bom tempo e talvez muitas pessoas não se terão apercebido antes. Sei que a EMIS tem estado a trabalhar com os bancos comerciais na adopção de um padrão de segurança mais alto. O BAI está a emitir cartões de crédito e débito com uma nova tecnologia que envolve um cartão SIM, e que é muito mais seguro. Estamos a procurar garantir que haja mais clientes da nossa rede a usarem estes cartões, que já estão disponíveis em todos os balcões a nível nacional.

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