Juros pagos à troika descem 320 milhões com reembolsos ao FMI

Os Reembolsos ao FMI permitiram reduzir a despesa com juros pagos à troika.

04 Dez 2018 / 12:32 H.

Os empréstimos de 76,4 mil milhões de euros concedidos a Portugal pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional no resgate financeiro custaram 11,4 mil milhões de euros em juros desde o início de 2012.

O Tesouro tem tentado diminuir essa factura com reembolsos antecipados à instituição liderada por Christine Lagarde, que cobra os juros mais elevados.

A estratégia permitiu que nos primeiros dez meses do ano os juros pagos à troika tivessem descido 320 milhões de euros em relação ao mesmo período de 2017, segundo cálculos do Dinheiro Vivo baseados em dados da Direção-Geral do Orçamento. Face a 2015, ano em que Portugal começou a reembolsar antecipadamente o FMI, o custo com o empréstimo do resgate baixou cerca de 735 milhões de euros. Naquele ano a troika absorveu quase um terço dos encargos com juros assumidos pelo Estado português.

O Tesouro já devolveu um total de 23,8 mil milhões ao Fundo. Falta pagar 4,7 mil milhões. O primeiro-ministro, António Costa, garantiu que esse dinheiro seria liquidado até final do ano. Apesar do empréstimo inicial desta instituição ter sido de 26,3 mil milhões, a desvalorização do euro face aos direitos de saque especiais, a moeda do FMI, fez aumentar o valor da dívida.

A estratégia dos reembolsos antecipados, iniciada ainda pelo governo de Passos Coelho, permitiu poupanças significativas com juros. O secretário de Estado Adjunto e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, estimou em Outubro no Parlamento que “os pagamentos antecipados ao FMI permitiram poupar, nesta legislatura, mais de 850 milhões de euros de juros”.