Tempo - Tutiempo.net

Dívida pública nos 55% em África pode abrandar ainda mais a economia, alerta Banco Mundial

O Banco Mundial alertou que a elevada dívida pública nos países da África subsaariana, que deverá rondar os 55% do PIB neste e no próximo ano, pode fazer abrandar ainda mais o crescimento económico.

10 Out 2019 / 13:08 H.

“A vulnerabilidade da região à elevada dívida pública continua alta”, escrevem os analistas do Banco Mundial no relatório deste semestre sobre a economia africana, no qual apontam que “os riscos para as previsões continuam marcados pela possibilidade de um crescimento mundial mais baixo que o esperado, quedas mais abruptas nos preços das matérias primas e fraca implementação das reformas políticas”.

No documento, divulgado em Washington, prevê-se que a média do rácio da dívida pública dos países da África subsaariana estabilize este ano nos 55%, depois de ano passado ter registo uma média de 54% e de em 2020 dever cifrar-se nos 53%.

No entanto, alertam, desde 2013 “a percentagem de países avaliados como tendo ‘dívida problemática’ [debt distress, no original em inglês] ou em alto risco de ter dívida problemática quase duplicou, apesar de o ritmo da deterioração ter abrandado”.

Entre estes estão os lusófonos Angola, Moçambique e Cabo Verde, cujos valores exactos não são referidos no relatório, havendo apenas referências a Moçambique e Cabo Verde, cujo rácio da dívida face ao PIB ultrapassa os 100%, e a Angola, país em que a subida da percentagem da dívida pública é atribuída principalmente à depreciação da moeda nacional.

“O aumento da vulnerabilidade aos riscos da dívida resulta do elevado nível de dívida, especialmente não concessional [ou seja, comercial], que levou a um aumento substancial nos custos de servir a dívida”, dizem os peritos, vincando que, por causa disso, as reservas orçamentais “diminuíram em muitos países”.