Thomas Antunes: “Para que os projectos culturais sejam bons, há que ter contabilidade”

Thomas Antunes, assessor cultural da Alliance Française de Luanda, fala em exclusivo ao Mercado sobre a preparação da segunda acção de formação intensiva em Gestão e Produção Cultural, que será ministrada pela formadora brasileira Dedé Ribeiro.

Com que propósito a Alliance Française de Luanda organiza esta formação intensiva em Gestão e Produção Cultural?

Não é a primeira vez que a Alliance Française organiza uma formação deste género, já tivemos outras no passado. Mas sobre Gestão e Produção Cultural é a segunda. No ano passado fizemos a primeira. Tivemos esta ideia porque às vezes encontramos algumas pessoas, promotores culturais, que nos dizem que faltam alguns conhecimentos e que gostariam de ter mais ferramentas para desenvolver projectos. Portanto, para nós, faz parte das nossas tarefas, enquanto promotores do intercâmbio cultural entre Angola e França, termos um papel importante a desenvolver na área da formação.
Quem pode fazer esta formação?

Todas as pessoas podem candidatar-se, bastando mencionar detalhadamente na carta de motivação essa intenção. Pode ser desde uma pessoa que já trabalha em produção de eventos culturais e quer aperfeiçoar os seus conhecimentos ao estudante que quer ou pensa desenvolver projectos.

A ideia de tornarem gratuita a formação é para abranger um número máximo de pessoas?

Temos na verdade um número limitado de vagas. Depois de uma conversa com a formadora, ela indicou que tivéssemos no máximo 20 pessoas, para que possam tirar maior proveito desta formação.

Até agora, quantas já entregaram a carta de motivação?

Já recebemos mais de 60 candidaturas. Penso que será difícil fazer uma selecção, mas tudo vai depender do perfil do candidato e da manifesta motivação deste de querer participar.

Que aptidões pensam que as pessoas possam adquirir no final?

Podem ser várias, desde já competências na área da contabilidade. Para que os projectos culturais sejam bons, há que se ter também uma contabilidade bem organizada. Há também noções no que diz respeito a divulgação de eventos culturais que as pessoas poderão aprender. Se uma pessoa desenvolve um projecto cultural, tem de saber como atrair o grupo alvo a si. Tem de fazer um plano de comunicação e de divulgação. Precisará naturalmente de recursos financeiros, então deve saber como os procurar e conseguir patrocínios. Deve saber como estabelecer uma relação entre promotores e patrocinadores. Tudo isto é algumas das faculdades que vão aprender durante esta formação.

Quatro dias de formação sobre um tema tão importante serão suficientes?

Também gostaríamos que fosse por um mês, mas será uma formação de 25 horas. Mas não dava para a formadora que vem do Brasil. Ao contrário do ano passado, em que tivemos um formador, neste ano teremos cá pela primeira vez em Angola a Dedé Ribeiro, uma jornalista, dramaturga e com um DEA em produção cultural, pela Universidade de Paris. Mas só consegue ficar em Luanda esses dias, a seguir vai ministrar outra formação em Mbanza Congo.

Depois da formação, que acompanhamento farão aos que participarem?

Para nós, será gratificante ver que as pessoas que frequentarem esta formação possam, além de usar para si essas ferramentas, transmitir esses conhecimentos a outras. E que seja disseminado pelo País. Claro que, por via do contacto permanente que tivermos com eles, iremos acompanhá-los, sim.

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