Na Rota do Café by Ginga para recuperar a tradição

Por Quingila Hebo

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A equipa Social Team começou por saudar cada passageiro enquanto distribuía uma sacola que continha água, maçã e, claro, Café Ginga. Era justamente o café que uniu trabalhadores da Angonabeiro, guias turísticos da Social Team e jornalistas e traçaram uma rota até à vila de Calulo.

Às 6h12 as quatro viaturas seguiram viagem. A primeira paragem foi na vila do Dondo, às 9 h16, onde o grupo teve o pequeno-almoço à beira do rio Kwanza. O acesso à vila, embora em reparação, fez compreender porque é que viajámos em jeeps.

Do Dondo até à ponte do Rio Kwanza, perto da albufeira de Cambambe, a estrada está impecável. “ Malta, vamos  recuperar, tentem chegar aos 120 quilómetros hora, estamos com 40 minutos de atraso”, dizia o condutor do veículo-guia.

Depois de Cambambe, o asfalto é intermitente, o tráfico é desviado para picadas terraplanadas, porque o troço principal está em obras. Fora os danos que as condições da via provocam aos carros, tornou a viagem interessante, preenchida de inúmeras belezas naturais e uma biodiversidade infinita. Àquele ritmo podíamos contemplar e nos prender aos detalhes.

Às 12h47 chegámos à vila de Calulo, onde realizámos a segunda paragem “estratégica” para conhecer e registar imagens do forte , uma construção colonial num dos pontos mais altos da vila. Se não fossem algumas árvores que cresceram à volta, permite ter uma vista 360º graus da vila.

No alto, até quem estava a poupar bateria do telemóvel arriscou para tirar foto. Foi aqui que começou a nascer um sentimento natural de uma verdadeira família em cada passageiro. “ Por favor, tira-me uma foto. O telefone está bloqueado. Pode pôr o código (…)”, ouviu-se a partir daquele instante.
Serviu também para registar duas fotos de grupo, numa se podia ver, a cerca de quase 700 metros abaixo, a vila, um campo de futebol terra batida e uma estrada com asfalto velho, que depois ficámos a saber que nos levaria ao destino.

Deixámos os pedaços de asfalto e seguimos para uma picada com subidas de 10% intermináveis. A marcha era moderada e os passageiros começaram a interagir através dos rádios comunicadores instalados nas viaturas. Entre os passageiros estava uma nutricionista, que explicou os benefícios do consumo do café. Ficámos a saber que o café dá energia, melhora a concentração, protege contra doenças do coração e alguns tipos de cancro. Diminui o risco de diabetes tipo 2, demência e ajuda a controlar o peso e é por isso que Angonabeiro incentiva o cultivo e o consumo. A nutricionista fez lembrar várias vezes durante a viagem que estes benefícios só são possíveis se o café for consumido sem açúcar. Garantiu que está comprovado que o açúcar e qualquer tipo de adoçante alteram as propriedades naturais do café.

Foi aí, já com os estômagos a roncar, que um dos elementos do grupo disse que seria bom que no almoço não faltasse café e fosse servido “chouriço de peixe e uma bebida compatível com a idade”, tornando-se, assim, na frase mais pronunciada durante a viagem até ao regresso. Fizemos a terceira paragem estratégica já na Cabuta às 14h21 para esticar os pés e fazer necessidades fisiológicas( em bloco) e 15 minutos depois seguimos para o Miradouro da Cabuta- uma montanha de pedras que permite contemplar a paisagem. Não me lembro o tempo que ficámos. Esqueci de ver a hora. A preocupação foi desfrutar a beleza natural, tirar fotos e chegar à conclusão: Angola é um país lindo.A seguir foi servido o almoço noutro ponto do miradouro, onde as escadas, o restaurante, as mesas e as cadeiras são feitos de pedra. O almoço no Miradouro da Cabuta, com uma vista de encher os olhos, embora sem “chouriço de peixe mas com bebidas compatíveis com as idades”, foi o momento mais alto da viagem.

A seguir ao almoço fomos à lavra, mas sem antes saber o processo pelo que passa o café até à chávena. Depois de colhido, é posto ao sol durante uma semana, é recolhido, descascado, torrado e só depois é moído. Na Cabuta, tudo isso é feito com máquinas, tirando o processo de secagem que só passa para a indústria em caso de chuva.A plantação é prática, é difícil de compreender em teoria. Plantámos 36 pés de café que só poderão dar “frutos” daqui a cinco anos.

Depois do campo, que fica a uns 300 metros, a nutricionista voltou a falar dos benefícios , seguiu-se um momento de degustação de café e assim foi encerrada a parte teórica e prática da Rota do Café, quando já eram 17h47.

Até às 20 horas foi descanso no Hotel Cabuta Ritz, que fica num outro extremo da fazenda. Parece um condomínio fechado em que cada quarto representa uma vivenda. O jantar foi seguido de um momento cultural que se estendeu madrugada a dentro. Dança, testes de inteligência, anedotas e cânticos à volta da fogueira marcaram a noite. No final, o que se ouviu foi: muito obrigado Angonabeiro, mais uma Rota do Café, por favor.

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