Kapela homenageia a escola onde deu os primeiros passos

O artista plástico Paulo Kapela expõe, no ELA – Espaço Luanda Arte, a partir das 18 horas o “REGRESSO A POTO-POTO”, uma Exposição Individual do mestre angolano. O conjunto de obras resulta de uma residência artística neste espaço de divulgação de arte. Nesta exposição, o artista recria e revisita a tradição e a história africana, através da sua perspectiva única e original, que (como é conhecido) “combina narrativas reais e surreais, utopias e pesadelos” da sua vivência e da sua memória.

Desde a escola de Poto-Poto, onde teve a sua primeira experiência e conheceu o seu primeiro amor pelo mundo das artes, que Kapela carrega consigo a originalidade típica dos artistas dessa época, além da profunda ligação com as tradições africanas, a arte é um estilo de vida bem marcado nas expressões peculiares que caracterizam o artista plástico de 71 anos de idade.

Numa nota da organização lê-se que “Kapela regressou recentemente à República do Congo, em particular à cidade-capital Brazzaville e à Escola ´Poto-Poto´ para uma visita de estudo. Esta viagem tornou-se para o Artista um regresso às origens, numa escola aonde se formou nos anos 1960”. Foi na Escola ´Poto-Poto´ que Kapela aprendeu os meios técnicos para expressar de forma espontânea e livre a sua arte, extraindo temas de tradições africanas (caça, dança, máscaras, e cenas de mercados), tudo em cores vivas.
O mestre Paulo Kapela é angolano, nascido no Uíge, mas foi na República do Congo que começou a meter nas telas o que lhe passava pelas idéias. Os desenhos, colagens e instalações de Kapela, herdeiros da École de Peinture de Poto-Poto, do Congo, foram recuperados e ganharam tratamento condizente com a sua importância para a cultura angolana. Kapela percorre o mundo com a sua arte desde 1995, geralmente acompanhado por contemporâneos africanos, como aconteceu durante a “Africa Remix”, montada em Londres, Paris e Tóquio, em 2004 e 2005.

A sua arte foi vista também na exposição colectiva “Tons e Texturas da Angolanidade”, em 2003. No mesmo ano, Kapela foi homenageado com o prémio do Centro Internacional de Civilizações Bantú (CICIBA), de Brazzaville, que lhe rendeu parte do reconhecimento internacional que desfruta. Mais recentemente, em 2013, Kapela integrou a exposição “No Fly Zone”, em Lisboa. As peças expostas traduziam a Luanda de hoje, a mostrar recortes de jornal, desenhos e objectos agregados que constroem o discurso de conservação e reconstrução da memória empregado pelo artista. M

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