Brunch With: Soraya da Piedade

Por Lueza Espírito Santo

Nascida em 24 de Fevereiro de 1979 em Luanda, a estilista Soraya da Piedade é a capitã de uma equipa de seis jogadores. Nasceu e cresceu com os seus pais, e sempre teve um vínculo bastante forte com a sua mãe. É por natureza uma pessoa quieta e bastante calma, mas confessa que enquanto criança também teve o seu lado traquina. “Subi árvores, caí para o telhado da casa, entre outras coisas, pois criança que é criança tem o seu lado irrequieto”, contou. Soraya confessou ainda que sempre foi muito criativa e inclinada para o mundo da moda. “Desde pequena já tinha um gosto pela moda, mas não tinha referências”, realçou. Tinha a certeza de que gostava da moda, mas não sabia até onde ela a podia levar. Devido a ser tão organizada, descobriu também um gosto pela decoração. “Sempre fui muito metódica, perfeccionista e organizadora”, conta. Este facto comprovava-se todos os anos quando decidia mudar a decoração de sua casa. Mas a vida deu voltas, e, após terse casado e ter ido viver para o estrangeiro, abriram-se novos horizontes, e enveredou por outros caminhos.
Em 1999, decidiu mudar-se para Pretória para aperfeiçoar o seu inglês durante cerca de um ano. Depois, regressou a Angola, casou-se e em 2005 rumou para o Brasil, cidade de Curtiba, onde se formou em Gestão Empreendedora de Negócios e realizou um curso de design de moda. “Sempre soube que queria ser empreendedora, só não sabia exactamente no quê”, admitiu. Na véspera do seu regresso, Soraya continuava com um vazio, pois estava formada, mas não se sentia realizada.
Mas, devido a duas peças que realizou para apresentação de final de curso no Brasil, foram-lhe abertas as portas para o êxito. Vendeu essas e muitas outras peças. Logo depois, foi reconhecida por uma cliente angolana, e desde então não paravam de surgir pedidos, e Soraya viu-se obrigada a começar a operar para os dois mercados. Passados dois anos, devido a grande aceitação do seu trabalho, abriu o seu primeiro show room no Brasil. Tinha a certeza de que não queria trabalhar para outrem, pois teve a consciência de que tinha de facto um sonho, que precisava de ser construído. Sabia que seria complicado estar centrada em trabalhar em outra empresa, e decidiu consolidar a sua própria marca de roupa. “O mais difícil para mim foi decidir”, confessou. Soraya tinha cerca de 30 anos, já formada, a viver em Angola, e sentia a necessidade de arriscar. Mas após ter decidido o que realmente queria fazer, nada voltou a ser da mesma forma. “Quem me dera ter arriscado antes”, contou sorridente.

Veia empreendedora

Soraya da Piedade sente-se orgulhosa de ter feito o curso de Gestão, pois hoje tem um outro olhar acerca do que significa gerir uma marca, e conta que graças a isso cometeu poucos erros de principiante. Tenta organizar-se dentro das limitações que existem em Angola, mas a cada dia que passa sente que tem uma equipa mais coesa.. Encontra alguns entraves desde o ponto de vista económico do País, mas realça que é importante criar estratégias. Soraya não acredita num empreendedor ou criador que diga “não posso”. “Se não conseguir o que pretende através de um banco, tem de conseguir através dos melhores amigos, mas é sempre necessário encontrar uma estratégia para aquilo que a pessoa pretende”, afirmou. Reconhece que existe muita juventude com qualidade e focada que são bons exemplos para trazer ao de cima o melhor que há em Angola, apenas considera que é necessário um pouco mais de coesão de negócio, pois a moda é uma empresa que, como qualquer outra, requer organização. “As pessoas em Angola sabem fazer coisas de qualidade, apenas não têm a matériaprima que lhes permita realizar um trabalho melhor”, afirma. E deste modo destaca que gostaria que as oportunidades fossem iguais para todos, pois assim poderíamos de facto saber quem é realmente bom. Almeja chegar longe e ter um conceito, pois não pretende simplesmente vender roupa. “Gostava de criar um império”, contou às gargalhadas. Ambiciona ser Soraya da Piedade com a sua própria identidade e estilo. Como gestora de negócios, tem o seu plano criado desde que abriu a empresa, e um dos seus objectivos é internacionalizar-se cada vez mais e dar a conhecer o seu trabalho. Afirma que a moda já não é tão empírica como era antes, e que agora é necessário pensar, montar uma estratégia de ponta a ponta, sem lugar a erros. Existem grandes indústrias da moda no Congo, no Gana, nos Camarões e no Senegal, mas Soraya demonstra a cada dia que passa que o nosso país também tem o seu lugar, e esta certeza materializou-se recentemente após ter recebido o prémio de African Legend of Fashion. Fica feliz por ter seguido o seu instinto, porque considera que a sua estratégia funcionou. Voltou para Angola para tentar também combater certos paradigmas e para que as pessoas percebessem a importância da moda como negócio. Decidiu não ter outro emprego para demonstrar que é possível viver da moda, trabalhar neste sector e criar uma verdadeira empresa. “Eu quero que as pessoas percebam a minha evolução, mas tudo fruto de trabalhar em moda”, afirmou

Comentários