Brunch with… Cidália Octávio

Por Karinne Manita   Fotografia Njoi Fontes

Durante uma manhã de cacimbo, tive o prazer de tomar um brunch no restaurante Miralua, com a responsável pela banca da SAHAM seguros, uma jovem que foi abençoada com uma infância rica. Nasceu em Luanda a 20 de Maio de 1988, mas viveu quase toda a vida por vários países de África. Passou grande parte da sua vida na Zâmbia, consequência da profissão do pai, que era diplomata naquele país na posição de adido da defesa, e depois finalizou a sua formação académica na Namíbia.

Cidália Octávio é a mais nova de seis irmãos. Os pais, muito rigorosos na educação, lutaram sempre para transmitirem aos filhos o melhor que podiam dos seus ensinamentos e princípios. Os finais de semana eram sempre bem preenchidos entre os amigos da comunidade angolana e os nativos do país, entre piqueniques e safaris, a sua infância foi muito rica e feliz. Os pais de Cidália tinham na educação dos filhos o seu propósito de vida, e dar-lhes o melhor era um investimento muito bem traçado por eles, e canalizavam as suas actividades lúdicas para eventos mais atractivos para os mesmos, mantendo-os em contacto permanente com a natureza, o que também era uma realidade em casa. “Sempre tivemos muitos animais e plantas em casa”, conta Cidália.

Apesar das várias mudanças, Cidália sempre se adaptou muito bem aos países por onde passou, e guarda ainda os amigos daquela altura, trocando com eles viagens de cortesia entre os países, o que é um excelente intercâmbio, sendo a mesma apaixonada por viagens, sempre é um bom motivo para acrescentar mais uma viagem às suas recordações.

Estudou em Luanda, na escola Aplicação e ensaio do Alvalade, na Maianga, até ao 4.º ano, e depois foi viver para a Zâmbia, onde fez a sua formação até ao 12.º ano de escolaridade. E aí relembra com nostalgia os amigos que fez e toda a vivência num país que tem como sua 2.ª casa. Diz que teve todo o apoio dos pais para encontrar a sua vocação, e assim, em 2007, embarcou para a Namíbia, onde se formou durante 4 anos em Gestão de Empresas, com a ambição de formar-se dentro do prazo e ser motivo de orgulho dos seus pais.

Projecto ambicioso e projecção de carreira

Em 2011, volta a Angola, ainda com sotaque pela influência do ensino e dos países onde viveu, mas aí começa a luta, na preparação de curriculum, entrevistas e negociações, até que finalmente encontra o emprego onde está até hoje. Naquela altura, Cidália tinha mais propostas de emprego, mas decidiu-se pela seguradora, pois era um projecto ambicioso, e a projecção de carreira na empresa era mais atraente. Mas não foram somente estas as condicionantes, a realidade geográfica do País também nos obriga a ponderarmos a localização da empresa versus residência de família e escola de filhos, e estas condicionantes também pesaram na sua decisão, pois nem sempre o melhor salário é a condicionante certa para o nosso sucesso profissional e pessoal, então aceitou a proposta e está muito feliz.

Inicialmente, Cidália era apenas comercial, mas ao longo do tempo foi sendo promovida gradualmente, com muito profissionalismo e dedicação e acumulando cada vez mais responsabilidades. Entende que devemos estar cada vez mais conscientes do momento do País, valorizando mais os esforços feitos para a sua formação e entrada no mercado de trabalho. Apesar de o momento parecer desesperante para alguns jovens, existe a esperança de melhoria e crescimento profissional e pessoal, o horizonte é promissor, e não devemos baixar os braços aos desafios, devemos, sim, encarar os nossos medos e estar cada dia mais aptos para o nosso dia-a-dia, que por si só já é demasiado intenso. Apesar de Angola estar a passar por um momento difícil a nível financeiro, a mudança na direcção do País era imperiosa, os angolanos têm cada vez mais voz, e os jovens vão ganhando espaço para mostrar os seus conhecimentos, e demonstram que as novas tecnologias são os aliados perfeitos para um caminho de desenvolvimento consistente que é a proposta deste novo Governo.

Jovem e ambiciosa, visualiza a sua progressão de carreira dentro da empresa em que se encontra com sustentabilidade e ladeada de excelentes profissionais, mas Cidália é consciente das dificuldades de trabalhar num país em franco desenvolvimento como o nosso. “Há muitas condicionantes atípicas que nos deixam em desvantagem com relação ao funcionário expatriado, os nossos óbitos são vividos de forma diferente, e nem sempre são bem entendidos, principalmente se a chefia directa for um estrangeiro”, comenta. A perda do pai, falecido em consequência de um cancro, foi, como revela, a demonstração de que realmente é muito difícil conciliar certos dramas que são somente do povo africano. Mas tudo passou, e ficou a referência de que a cultura e a individualidade de cada um devem ser respeitadas e preservadas.

Ambições pessoais

Considera-se uma pessoa muito sociável, alegre, confiante, persistente e determinada, adora conversar e estar com pessoas que elevem o seu intelecto, é amante de cinema, gosta de ouvir música, especialmente soul music e R&B, muito por influência do seu falecido pai, que consumia diariamente este estilo musical. Confessa que o tempo tem sido um dos factores para estar mais condicionada à leitura, mas o último livro, Be Loved, de Toni Morrison, oferta do seu esposo, é um dos livros que mais a marcaram. Mas com toda a certeza a companhia prioritária é a família, dela não abdica nunca.

Cidália pretende ser uma referência no mercado de trabalho, mas não se esquece de outros sonhos seus, pois neste momento o mercado obriga-nos a inovar e estar cada vez mais atentos às lacunas que existem para que se criem negócios bem estruturados e focados nos clientes apropriados ao momento. Assim, Cidália está a estruturar um negócio que por agora mantém em segredo mas que promete ser inovador e que vem dinamizar um nicho pouco explorado pelos angolanos. Aproveitando os seus skills sobre administração e gestão de empresas, diz que fará o seu melhor para que o projecto se materialize em breve.

 

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