Brunch with… Pedro Garcia

Por Estêvão Martins | Fotografia Njoi Fontes

Pedro Garcia é um homem de poucas palavras, mas de trato fácil, nascido há 44 anos no município do Tomboco, província do Zaire. Depois da jornada de trabalho daquela quarta-feira, encontrámo-nos no restaurante Grill, ao Belas Shopping, em Luanda.

Casado e pai de quatro filhos, Pedro Garcia fez o ensino primário, até à 4.ª classe, na sua terra natal. Actual director de Linhas

Pessoas & Banca Seguros da GA Angola Seguros, Pedro Garcia identifica-se como um gestor e especialista em seguros e sonha em atingir o topo da empresa.

Saiu da sua terra natal em 1984, tendo feito a 5.ª e a 6.ª classe na Escola Trabalho e Luta, actual Seminário Maior de Luanda.

Concluiu as classes subsequentes (7.ª e 8.ª) na Escola Ngola Kiluanje, também na capital do País.

Pedro Garcia conta que desde pequeno pretendia fazer um curso relacionado com comércio e negócios. Mas, devido à falta de escolas do género, na altura, matriculou-se no então Instituto Médio de Saúde de Luanda, tendo completado o curso médio de Saúde na especialidade de análises clínicas em 1993.

Uma vez que o País carecia de quadros do ramo, Pedro Garcia revela que foi colocado no Hospital Josina Machel, onde trabalhou no laboratório central como técnico de laboratório.

Nota que foi um dos primeiros técnicos de laboratório da Clínica Espírito Santo em Luanda, logo após a sua abertura em finais dos anos 90. Prestou igualmente serviços à clínica privada Anglodente até ao ano de 2000.

Viagem ao estrangeiro

No ano a seguir, em 2001, abandona Luanda e ruma a Portugal como acompanhante da esposa, que enfrentava problemas de saúde. Cansado da vida em Portugal, em 2003 decide emigrar para o Reino Unido com a família, onde fixa residência no País de Gales.

No tempo em que esteve em Portugal, Pedro Garcia trabalhou no ramo da saúde e ao mesmo tempo frequentou o primeiro ano do curso de Análises Clínicas e Saúde Pública, na Escola Superior de Tecnologias da Saúde de Lisboa.

No País de Gales, Pedro Garcia decide pôr termo à carreira no ramo da saúde. “Senti que já tinha dado o meu contributo na área da saúde e era hora de fazer realmente o que gostava: estudar economia e fazer negócios.”

E diz mais: “Não há melhor país do mundo para se estudar economia e negócios que não seja de expressão inglesa.”

Para Pedro Garcia, o facto de ter saído de Tomboco, passando por Lisboa, serviu de experiência e de preparação para aquilo que foi a sua vida no país anglófono.

Antes de mais, aperfeiçoou a língua inglesa e, em acto contínuo, matriculou-se no colégio pré-universitário Glan Hafren, onde fez Gestão de Empresas e Liderança.

Licenciou-se em gestão de empresas entre 2005 e 2008 na Cornwall Business School. Acrescenta que no ano a seguir (2009) deu início às aulas de mestrado em Negócios Internacionais e Gestão de Empresas na University of Glamorgan.

Conciliava na altura os estudos com a actividade laboral. “Não tinha como estudar sem trabalhar”, lembra.

Trabalhava como publisher num website que acabara de criar depois de passar por formação. Conta também que trabalhava com diferentes artigos e serviços, mas foi o negócio dos seguros que lhe chamou a atenção, pois era o produto que mais saída tinha online.

Pedro Garcia interessou-se, com efeito, pelos seguros e optou por especializar-se no ramo, fazendo diferentes formações. Estudou por exemplo a Lei dos Seguros num instituto local de seguros, algo que fazia em simultâneo com a formação universitária.

Do Reino Unido para a GA Angola Seguros

O convite para trabalhar em Angola surgiu em 2011 a partir do País de Gales. No âmbito da globalização, Pedro Garcia revela que o professor solicitou a realização de um estudo sobre seguros relativo a um país que não fosse Gales.

Foi assim que se decidiu pela elaboração de um estudo sobre o sector segurador nacional, partindo do princípio de que a restruturação da indústria de seguros teve início em 1999, acabando assim com o monopólio da ENSA.

Revela que durante as pesquisas do trabalho entrou em contacto com o antigo sócio maioritário da GA Angola Seguros, de nacionalidade sul-africana, que, depois de um encontro no País de Gales, o convidou a regressar a Angola e a trabalhar para a sua empresa.

Foi assim que em 2011 regressa a Angola e começa de imediato a trabalhar para a seguradora. “Cheguei em Angola no dia 2 de Junho de 2011, e no dia seguinte estava a trabalhar para a GA Angola Seguros”, lembra.

Pedro Garcia adora a música gospel, R & B, embora não tenha jeito para dançar. In Search of Excellence, de Tom Peters & Robert Waterman Jr., que descreve lições das empresas americanas, é o livro que mais o marcou, e inclusive guarda-o na banca do quarto para releitura de vez em quando.

Além de Portugal e País de Gales, na Europa passou também por Espanha e França. Em África, além de Angola, conhece Marrocos, de onde guarda boas lembranças. Mas Gales é o país de que mais tem referências.

Pedro Garcia explica que foi neste país que conseguiu integrar-se na sociedade e nas actividades comunitárias, por exemplo.

Recorda também a época em que trabalhou para uma empresa de importação e exportação local, na qual conviveu com pessoas de diferentes nacionalidades e origens.

Pedro Garcia mantém todavia a sua família naquele país do Reino Unido, para onde se desloca de três em três meses para visitá-la. Tem como prato preferido o funje de bombó e pertence à Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Aprecia duas modalidades desportivas, nomeadamente futebol e motocrosse. A nível do futebol, tem como equipa favorita o Petro de Luanda. Na Inglaterra, adora o Chelsea; em Espanha, o Real Madrid, e em Portugal, o Benfica.

Longe da família (esposa e filhos), nos seus tempos livres Pedro Garcia aproveita para conviver com amigos e pessoas próximas e mantém distância de bebidas alcoólicas (bebe apenas água e sumos).

Não perde uma oportunidade para sair de Luanda e visitar locais turísticos e, inclusive, para ir à sua terra natal (Tomboco) para rever amigos e os seus progenitores.

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