Brunch with… Lukeni Araújo

De gestor hoteleiro a director nacional de promoção e turismo de Angola. Um jovem promissor na área de gestão hoteleira e turística.

POR KARINNE MANITA | FOTOGRAFIA NJOI FONTES

Lukeni Araújo nasceu em Luanda. Descendente de uma família tradicional, é o segundo de cinco irmãos. Teve uma infância normal, a diferença de idades entre os irmãos – em média, de seis anos – obrigava-os a cuidar uns dos outros, e os primos eram os melhores amigos, quando estavam juntos era a maior animação, e os melhores encontros eram no Mussulo, ali eram verdadeiramente felizes. Os pais foram muito presentes na sua vida, até à altura em que o pai teve de sair do País para concluir a sua formação superior, mas, apesar da distância, nunca descurou ao família. “O meu pai teve influência directa naquilo que sou hoje como gestor hoteleiro, pois ele foi director nacional de Hotelaria e Turismo”, contou orgulhoso Lukeni, que relembra os passeios com o pai aos fins-de-semana nas rondas que o mesmo fazia pelos hotéis de Luanda.

Percurso académico

Durante o nosso brunch no espaço Miralua, em Luanda, Lukeni falou-nos das suas vivências académicas. Estudou em Luanda até 1998, altura em que deixou Angola e foi viver para a África do Sul com a mãe e os irmãos, mais propriamente para a Cidade do Cabo, para onde foram estudar. Instalaram-se inicialmente numa povoação pequena que se chama Fish Hoek, e aí começa uma nova fase para a vida de Lukeni. No primeiro mês de aulas sofreu um pouco pelo facto de não falar a língua local, o que atrasou um pouco a sua adaptação. Frequentou até ao 10.º ano ainda o Fish Hoek High School. Depois, por influência dos primos, que vinham de Angola, pediu aos pais que o mudassem para um internato religioso.

A família mudou-se para o subúrbio de Milderton, em Cape Town, onde concluiu o 12.º ano, e um dos pontos fortes da sua adaptação foi o desporto. Na mesma cidade, em 2004, ingressou na universidade International Hotel School, onde se formou em Gestão Hoteleira, e relembra que foi a sua melhor escolha: “Foi óptimo para a minha formação hoteleira, pois tive acesso prático e teórico para desenvolver as minhas funções.” Durante esse período de formação, Lukeni trabalhou como estagiário em vários hotéis da Cidade do Cabo, que é uma referência para a hotelaria e turismo em África. Desde limpar quartos de hotéis, descascar batatas, lavar casas de banho, cozinhar, resumindo, conheceu todas as áreas da hotelaria, mas houve um episódio durante o estágio que o marcou. “Sexta-feira nos hotéis é um dia de imenso movimento, e na lavandaria eu e mais um colega tínhamos de engomar cerca de 22 carros de roupa de cama, e, apesar de termos o auxílio de máquinas, era muito trabalhoso, e o local extremanente quente, desde então passei a valorizar mais o trabalho de um gestor de hotelaria.” Houve momentos em que pensou em desistir, mas, segundo o mesmo, “um gestor hoteleiro, para mandar, primeiro tem de saber fazer, e viver as dificuldades dos trabalhadores das unidades hoteleiras, e isso torna-nos mais capazes”.

A entrada no mercado de trabalho

O regresso a Angola aconteceu em 2010, altura em que começou a trabalhar no Hotel Términus do Lobito, numa fase em que este estava a passar por uma remodelação profunda, pois o antigo hotel era centenário, sendo actualmente a ùnica unidade hoteleira boutique de Angola. Nas suas funções, fez o acompanhamento da transição do antigo hotel para o novo e trabalhava entre Luanda e Lobito como assistente de direcção . Era também responsável pela parte operacional e teve acesso a formações em outras unidades hoteleiras em Portugal e contactou outras realidades.

Após dois anos, recebeu uma proposta para ser o director geral do Hotel Palácio Regina, em Malanje, onde esteve mais de um ano, mas a sua vida pessoal aí teve mais peso. Lukeni tinha sido pai e sentiu que deveria estar mais próximo da sua família, e decidiu rescindir o contrato e voltar para Luanda. Já em Luanda, recebeu nova proposta, desta vez para trabalhar no Hotel Praia Morena, em Benguela, onde esteve dois anos como director-geral interino. A gestão da unidade era familiar, e isso teve muitas coisas a favor. Lukeni,nessa altura,estava a fazer o que gostava, conseguia aliar o trabalho à família, pois a sua esposa é benguelense, e a distância não seria benéfica para a sua relação familiar. Fixou residência e criou a sua empresa,AKA-SUKU, dedicada à formação hoteleira. Lukeni percebeu que existe uma grande lacuna relacionada com a formação hoteleira, desde os funcionários de base até aos gestores, e em 2014 iniciou acções de formação nessa área. Abriu um centro de formação técnico-profissional reconhecido pelo Inefop (Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional) para quem quisesse formações on job ou de carácter pessoal. Fez contratos com empresas nessa área, apostou em aulas de culinária intensivas para adultos e crianças, e foi um sucesso, e desde 2017 já tem o seu segundo centro de formação em Luanda, nos Jardins do Éden, no Camama.

Com a abertura da escola em Luanda houve a necessidade de acompanhar e estabilizar o negócio, e assim convenceu a família para fixação definitiva em Luanda. Entretanto, com as eleições e as mudanças no aparelho de Estado, conseguiu ingressar no Ministério do Turismo, onde está desde 2017. Segundo Lukeni Araújo, “a ministra tem feito uma reestruturação a vários níveis, desde o nome do próprio ministério, mudanças no seu estatuto orgânico , a extinção de direcções obsoletas, e criação de outras, devolvendo ao ministério um maior dinamismo”.

O maior desafio neste momento é desenvolver a nova Direcção Nacional de Promoção Turística, da qual é director. Lukeni declarou: “Queremos uniformizar o turismo,e definir recursos turísticos importantes para podermos alavancar a área , e será necessária uma reestruturação para que os pontos seleccionados sejam qualificados e promovidos.”Há realmente muitas dificuldades no sector, mas o director nacional reforça: “Temos muitas dificuldades, mas devemos riscá-las do nosso vocabulário e encará-las como desafios.”

Fica feliz por saber que os jovens têm tido maior oportunidade de desempenhar funções de relevo na nossa sociedade. Nesta fase difícil do País, Lukeni aconselha os jovens que têm neste momento um emprego: “Peço que o respeitem, que sejam dignos do compromisso que assumiram com a empresa.”

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