Brunch with… Lady Mukeba

Um jovem sonhador, com inúmeros talentos, diversas paixões e uma vontade imensa de transformar o marketing político do País.

POR LUEZA ESPÍRITO SANTO | FOTOGRAFIA NJOI FONTES

 

Nasceu em Luanda, no bairro do Kinaxixi, e é o terceiro de nove filhos. Lady conta que sempre olhou para a sua família como uma equipa de futebol, na qual é visto como o capitão. “Os meus irmãos recorrem a mim para resolver os proble- masdacasa”,afirmousorridente.

Apesar da sua vitalidade, foi uma criança calma, que gostava muito de ficar a observar o que tinha ao seu redor. Teve uma infância um pouco dura e admite que passou por muitas priva- ções. “Lembro-me de ir para a escola sem chinelos”, afirmou nostálgico. Mas, por ser um jovem inconformado, lutou sempre por sair da realidade onde estava inserido.

Era um aficionado por jogos e, como o seu irmão levava mui- tos para casa, Lady migrava-os para o seu computador e acabou por compreendê-los de uma forma que nem o próprio conseguia acreditar. Devido a tal aptidão, decidiu fazer um curso de Infor- mática, no qual tudo o que professor explicava… ele já sabia. Foi então convidado para dar Informática na dita instituição.

Começou a trabalhar aos 13 anos, numa cantina com malianos onde conseguiu aprender a falar fluentemente o francês. Contou que os seus colegas malianos lhe ensinavam o francês e que, em contrapartida, Lady ensinava-os a falar português. “Sempre fui um jovem entendido no seio dos adultos”, afirmou. Logo depois, aos 14 anos, agarrou-se à sua paixão pela informática e lançou- se a reparar aparelhos informáticos, chegando a converter o seu quarto num “cemitério de computadores”.

Era consciente de que o modo que tinha de triunfar era atra- vés da educação. Recorda que a sua mãe repetia variadas vezes que conseguiria ser uma grande pessoa se decidisse estudar. Inicialmente pensou em ser engenheiro de petróleos, pois as- pirava a ter muito dinheiro, mas infelizmente não conseguiu concretizar esse sonho e optou por Engenharia Informática.

O seu percurso académico começou então na Escola Cantin- ton, logo rumou para a Escola Ngola Kanini, onde, por falar fluentemente francês, conseguiu uma bolsa que lhe permitiu aceder de forma gratuita ao ensino médio estatal na Escola de Formação de Professores Garcia Neto. O seu seguinte passo foi inscrever-se na Universidade Óscar Ribas em Engenheira In- formática, mas, infelizmente, devido à sua condição financeira, não conseguiu concluir.

Durante meio ano, abandonou a sua vida académica, mas, porserumhomempersistentecommuitosobjetivosporcon- cretizar, inscreveu-se em variadas universidades de Luanda e terminou por ser aceite na Universidade Independente, onde cursou Ciências da Comunicação. “Por sorte, fui um dos melho- resalunos”,contou,orgulhoso,eafirmouquechegouaganhar um concurso de jornalismo (“Eu na TV”) organizado pela da Semba Comunicação.

“Eu nunca consegui olhar para o meu talento.” Lady era cons- ciente de que alcançaria alguma meta, mas não olhava para si mesmo. Graças à sua passagem pela universidade, descobriu que tinha escondido um grande talento para a comunicação social que até então desconhecia.

Da comunicação social para a política

Sempre com muita vontade de crescer, em 2016 realizou varia- das pós-graduações à distancia, nomeadamente em Marketing

Político, foi docente do ensino superior e atualmente encontra- se a realizar uma pós-graduação em Ciências Políticas e um mestrado em Comunicação Empresarial e Marketing. “Gosto muitodeestudar”,afirmouàsgargalhadas.

Assume ter várias paixões, entre elas também o marketing. Sente-seumverdadeiroconsultordemarketing,poiscontri- buiu com os seus skills para o êxito de várias personalidades. Mas actualmente descobriu uma nova paixão, a política, e re- velou que, enquanto estudante, o seu foco é conseguir uma si- nergia entre o seu conhecimento em marketing e o conheci- mento que está a adquirir em política.

O seu objectivo é conseguir trabalhar para uma campanha eleitoral de um partido político angolano. “Não me conformo com a forma como o marketing político é feito em Angola”, con- tou. Considera que muita coisa podia ser melhorada e trabalha- da de melhor forma, e acredita que tem muito para contribuir.

Lady revela também que o que obteve na sua vida não foi fácil, mas que tudo partiu de uma motivação. Sempre teve o gosto por conseguir fazer algo grande, por isso optou por vários cami- nhos, e continuará a fazê-lo, sem esperar ter condições para tal.

Passou pela TV Zimbo, onde trabalhou durante cinco anos como operador de meios operacionais, fez um universo dentro da régie, mas, por não estar satisfeito, participou no “Eu na TV”, que lhe permitiu ser jornalista na Semba Comunicação. Revela que considera todas as empresas pelas quais passou uma gran- de escola pois permitiram-lhe crescer como profissional. “Eu fui prestando atenção ao mercado e fui-me adaptando.”

Hoje, trabalha como consultor de marketing e assume que era o que sempre procurou mas não sabia. Já recebeu várias propostas de outras empresas, mas é o que o faz feliz e o com- pleta. Para além de consultor e politólogo, também escreve, tendo já um livro lançado, intitulado O Vendedor de Esperan- ças.

“O maior medo é voltar a não ter”, esta é a frase que motiva Lady a continuar a lutar pelos seus sonhos, pois considera que hoje em dia possui muitas coisas que anteriormente pensou que não conseguiria alcançar. Mas da mesma forma tem um grande receio de perder tudo o que até agora conquistou. “Lutei, con- segui,enãoqueroperder”,afirmou.

Para além da citação alentadora que guarda em sua memória, MaxFonsecaétambémumagrandemotivaçãoparaLady,pois, segundo conta, fez nascer dentro dele o bicho do marketing. Considera-o um grande profissional que não se apega aos bens materiais e que demonstra o seu grande potencial.

Lady Mukeba partilhou ainda que, como politólogo, pensa bastante no seu país e considera que Angola está a dar grandes passos a nível da democracia. Sentia que até há 6 anoss a demo- cracia era utilizada como fachada. Sabe que as coisas estão a melhorar, e acredita que Angola chegará a equiparar-se aos Estados Unidos ou Inglaterra. Considera que é necessário co- locar de parte a propaganda política e estar de olhos postos num marketing de extrema qualidade.

Deixa uma mensagem de alento aos jovens angolanos centra- da nos ensinamentos de sua mãe pois, motivando-os a centra- rem-se nos estudos. “Não queremos quadros apagados ou com muletas”.

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