Receitas do turismo resistem à crise

Por André Samuel

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Nos últimos quatro anos, o desenvolvimento do sector turístico sofreu com a influência negativa da desaceleração da economia ao nível internacional, que gerou na economia nacional a contracção da actividade económica, o aumento exponencial das taxas de inflação, degradação dos indicadores do sector fiscal, e a redução significativa das reservas internacionais líquidas.

De acordo com a ministra do Turismo, Ângela Bragança, em exclusivo ao jornal Mercado, esta situação fez com que as metas do sector preconizadas no respectivo Plano Nacional de Desenvolvimento não fossem alcançadas. Acresce ainda que os resultados do sector espelham uma forte redução nas entradas de turistas (33%) em 2017 face ao ano anterior (ver quadro). O número de pessoas empregadas no sector reduziu 15%, o investimento em novas unidades retraiu 34%, tendo em 2017 se registado o surgimento de 218 novas unidades e 936 quartos.

A taxa média de ocupação das unidades hoteleiras do País passou de 40,76% em 2016 para 36,22% em 2017, contudo, os dados disponíveis apontam que, no decurso do ano de 2016 e 2017, as receitas, por via do Imposto sobre os Serviços Hoteleiros e Similares, rondaram os 18 mil milhões Kz, dos quais mais de metade, ou seja, 9,4 mil milhões Kz, arrecadados no último ano.

Para mudar o actual cenário, Ângela Bragança faz saber que a estratégia traçada no Plano de Desenvolvimento para o sector está alinhada com o Plano Estratégico 2025, que tem como objectivo obter dos recursos turísticos, numa base sustentável, o máximo de benefícios sociais e económicos para os angolanos.

“O turismo é definido como factor estratégico para a reanimação da economia, com os seguintes objectivos específicos: contribuir para o desenvolvimento equitativo e harmonioso do País, promover a criação de emprego qualificado e estável, e valorizar a diversidade cultural e étnica como instrumento de reforço da unidade e coesão nacionais.” Acresce que entre os objectivos consta alavancar a reabilitação e construção de infra-estruturas adequadas às necessidades da população e do sector turístico, contribuir para a reabilitação, conservação e protecção do património natural e construído/edificado, especialmente o de valor ecológico e histórico, e promover a valorização do património cultural e etnográfico. “Projectar no exterior uma imagem favorável de Angola, contribuir para uma maior diversificação da economia e das suas exportações, bem como contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população angolana”, aponta ainda a ministra. Para atingir os objectivos citados, Ângela Bragança revela que a estratégia para o sector consiste no reposicionamento do turismo na economia nacional através da “promoção e consolidação do turismo interno”, cujo foco principal do Executivo é de elevar o desempenho do sector com apoio das iniciativas privadas através da estruturação dos pólos de desenvolvimento turísticos, da infra-estruturação e qualificação turística e da promoção e divulgação do turismo (incluindo a política de participação nas feiras e calendários de eventos nacionais e internacionais).

“Nos últimos meses, o País tornou-se mais aberto ao mundo, ao turismo e, consequentemente, mais aberto ao investimento privado estrangeiro em todos os domínios”, afirmou o Presidente da República, João Lourenço, durante o discurso proferido nesta quarta-feira no Parlamento Europeu. O Presidente da República referia-se aos recentes acordos de supressão de vistos rubricados com diversos países, atendendo assim a uma das principais inquietações dos operadores do sector turístico nacional

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