Potencial de Angola aumenta com exploração de Kaombo

Por Fernando Baxi

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A produção petrolífera de Angola poderá ultrapassar os 1,6 milhões de barris por dia com a exploração da Unidade Flutuante de Produção, Armazenamento de Crude (FPSO) Kaombo Norte, cujo início está marcado para o mês de Agosto ou Setembro de 2018, soube o jornalMercado de um comunicado da Sonangol, ao qual teve acesso.

O Kaombo Norte, como foi baptizado, terá uma capacidade de produção estimada em 115 mil barris por dia (bbp) e será operado pela Total E&P Angola, parceira da Sonangol no Bloco 32 com 30% das acções. É o maior projecto petrolífero em águas profundas no País, localizado a 260 km da linha costeira da província de Luanda.

A exploração de crude neste projecto poderá atingir os 230 mil bbp com a produção combinada do Kaombo Sul, também no Bloco 32, cuja execução inicia em 2019. Face ao arranque do projecto Kaombo, as prioridades da petrolífera francesa em África ficarão voltadas para Angola, como chegou a garantir Yves-Louis Darricarrère (2014), que naltura era o presidente da Total Upstream, em entrevista ao Financial Times.

Até Dezembro de 2013, a execução do projecto Kaombo estava em 70%, como faz referência a Sonangol EP, no relatório de gestão e contas, que na altura informou também que estava concluído o processo de avaliação das partes contratuais e comerciais dos concursos para os contratos de EPCI e operação e manutenção dos dois FPSO. Pelo curso do desenvolvimento do FPSO Kaombo Norte e Sul, o início da exploração de crude no Bloco 32 estava inicialmente marcado para 2017, mas acontece neste ano.

Investimento da Total

O investimento da Total no Kaombo é estimado em 16 mil milhões USD. Fazem parte do projecto a Sonangol Sinopec International 32 Limited (20%), Esso Exploração e Produção Angola (Overseas) Limited (15%) e a Galp Energia Overseas Block BV 32 (5%).

A execução do Kaombo, como apurou o Mercado, estava inicialmente orçada em 20 mil milhões USD, mas este valor baixou para 16 mil milhões USD, pelas dificuldades por que passava a indústria do hidrocarboneto, principalmente a partir de finais de 2013.

Os dois FPSO Kaombo Norte e Sul serão conectados a 59 poços por uma das maiores linhas submarinas do mundo e vão desenvolver os recursos de seis campos diferentes (Gengibre, Gindungo, Caril, Canela, Mostarda e Louro), dispersos numa área de 800 km2, nas zonas centro e sul do Bloco 32, tido dos mais prósperos em Angola.

O Mercado apurou ainda que o gás inerente à produção do Kaombo Norte e Sul será exportado para a fábrica Angola LNG, um projecto resultante da parceria entre Sonangol, Chevron, BP, ENI e Total que recolhe, processa e lança, anualmente, 5,2 milhões de toneladas de gás natural liquefeito (LNG) e satisfaz a indústria energética. Kaombo está num largo cuja profundidade vai de 1400 a 1950 metros. O desenvolvimento inclui seis campos com reservas estimadas em 660 milhões de barris.

Estrutura do Kaombo

As reservas serão produzidas por uma das maiores redes submarinas do mundo, ligadas à superfície, pela primeira vez na Total, por dois D1B2[1] FPSO convertidos com torre de sustentação, com uma capacidade de produção conjunta de 230 000 bbp.

O Kaombo Norte irá desenvolver três das seis descobertas, nomeadamente Gengibre, Gindungo e Caril. O Kaombo Sul fica com os campos Canela, Mostarda e Louro. O início de produção está previsto para 2019, como informou a Sonangol num comunicado. A execução do FPSO Kaombo assenta na utilização de tecnologia inovadora e custo eficiente “circuito híbrido” para o transporte de fluidos, apurou o Mercado de técnicos ligados à Total E&P Angola, operador do Bloco 32.

Pesquisa e avaliação de novos blocos

No offshore da bacia do Kwanza, a aproximadamente 120 km a sudoeste de Luanda, está localizado o Bloco 20/11, numa lâmina de água que varia de 300 a 1500 metros de profundidade; apresenta uma área de 4900 km2. A produção prevista é de 90 mil bbp. Na mesma bacia, mas a 175 km a sudoeste de Luanda, está o Bloco 21/09, numa lâmina de água que varia entre 300 e 2000 metros com uma área de 4887,04 km2. À semelhança do primeiro, a Sonangol estima uma produção de 90 mil bbp.

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