Armazenamento de petróleo pode ser feito em terra

Por Fernando Baxi

fernando.baxi@mediarumo.co.ao

O programa de reestruturação do sector petrolífero contempla um novo modelo de armazenamento de crude, garantiu o ministro dos Recursos Minerais e Petróleos, Diamantino Azevedo, na primeira edição do AmChamAngola Business Fórum, realizado pela Câmara de Comércio dos Estados Unidos da América em Luanda.

Assim, o armazenamento do petróleo bruto deixará de fazer-se no mar, passando a ser em terra, porquanto “é mais barato e seguro”, reforçou o ministro Diamantino Azevedo, que falou sobre o assunto em resposta a uma questão de um dos participantes do fórum, denominado ‘Os grandes desafios das engenharias dos petróleos e minerais’.

“Pelas duas variáveis (segurança e custo), é suficiente para fazer que nos engajemos para que haja mais armazenamento em terra”, disse o membro do Executivo, que já exerceu o cargo de presidente do conselho de administração da Ferrangol, empresa pública cuja missão é de controlar a produção de minério de ferro. A Ferrangol foi instituída em 1981 para gerir a mina de Cassinga, em parceria com empresas do sector privado, mas o projecto ficou por se executar, face ao período de instabilidade social (guerra), retomando a produção em 2017. Hoje, também coordena a prospecção do ouro, manganês, metais preciosos, não ferroso e de terras raras. Ainda quanto àao armazenamento de crude, na perspectiva de Josué Barros, geólogo, também presente no fórum, o problema de estocagem do petróleo bruto e gás natural é antigo, mas a solução pode ser geológica. “É possível usar espaços naturais ou artificiais, pelo menos este é o procedimento encontrado nos EUA”,
afirmou.

“Os locais utilizados para a estucagem do petróleo bruto podem ser jazidas petrolíferas exauridas, aquíferos confinados e delimitados por camadas selantes ou em cavernas que podem ser naturais ou artificiais”, explicou Josué Barros, satisfeito por saber que o projecto de construção da refinaria de Cabinda será executado com capital privado.

Em declarações exclusivas ao jornal Mercado, esclareceu ainda que o armazenamento do petróleo bruto pode ser feita em cavernas abertas em camadas salinas ou maciços rochosos preparados para o armazenamento de gás natural, gás liquefeito GPL. “A abordagem do ministro sobre o assunto é muito importante, porque a produção e o consumo de combustíveis líquidos e gasosos exigem medidas seguras de armazenamento, quer seja para medidas de variação no mercado, quer para a segurança ambiental. É um tema cuja relevância obriga a uma discussão séria nos próximos tempos”, explicou.

O armazenamento do petróleo bruto é dispendioso, segundo Monteiro Domingos, engenheiro do sector, principalmente nos períodos de excesso no mercado internacional,
obrigando ao armazenamento de grandes quantidades em alto mar, através de plataformas. “O armazenamento em alto mar de 2,5 milhões de barris de petróleo durante seis meses pode gerar um custo de cerca de 8 milhões USD, para além dos riscos ambientais que possivelmente podem ocorrer”, disse Monteiro Domingos, afirmando ser o momento certo para se inovar, ou, “melhor, reformular o sector dos petróleos no País”.

Também explicou que nem sempre o custo da armazenamento no alto mar é dispendioso ou resulta em prejuízo para o produtor. “O armazenamento do crude torna-se rentável quando a diferença entre o preço actual e o de longo prazo (contango) é, satisfatoriamente, amplo para cobrir os custos da contratação de um navio petroleiro”, disse. “Hoje a tecnologia no ramo dos petróleos está muito avançada, o que leva à redução dos riscos de esgotamento dos tanques de armazenamento. Os principais traders lucraram biliões USD com o negócio, sobretudo nesta fase, em que se verifica a valorização do barril do crude no mercado internacional”, esclareceu o interlocutor do jornal Mercado.

Ostradersque mais lucraram com a estocagem de petróleo no alto mar, em 2008 e 2009, forma Vitol, Koch Supply & Trading LP, Glencore, assim como ostrading internos da BP e da Royal Dutch Shell. “Foi na fase em que o mundo desenvolvido estava sob uma crise económica e financeira, reflectindo-se nas economias emergentes”, afirmou.

Comentários