José Moniz Silva : “Na crise, alguns choram, e outros vendem lenços de papel”

Por Karinne Silva Fotos Njoi Fontes

Em poucas palavras, como começou a MS Moniz Silva International e o seu impacto neste mercado?

A MS é fundada em 2005, no ano seguinte inaugura a sua primeira farmácia em Luanda, com o conceito de fornecer medicamentos a um preço justo e garantindo disponibilidade de produtos, evitando-se as rupturas que eram frequentes no mercado. Desde então, a empresa tem seguido um percurso de expansão crescente. A MS é um grupo familiar de capitais exclusivamente angolanos e hoje é a maior rede de farmácias de Angola em número de estabelecimentos e facturação, sendo uma empresa incontornável para os parceiros que pretendam ter sucesso no mercado farmacêutico em Angola, e tem um desempenho acima da média da economia angolana. Atende mais de 1,6 milhões de clientes por ano. Emprega actualmente 315 colaboradores nacionais, dos quais 88% são licenciados ou técnicos médios e apenas 12% não qualificados. Está presente em Luanda e nas principais províncias do País.

Como foi o processo de concepção da marca?

Foi um processo de co-criação dentro do grupo familiar na sua génese. Posteriormente, tem sido desenvolvido sem perder a sua essência, mas sempre com o objectivo de se actualizar respeitando os valores da marca MS, que apela à sua origem com o nome do fundador e actual director-geral do grupo. Em tudo o que fazemos, procuramos sempre respeitar os nossos princípios. Entre os quais, destaco três: os clientes são a nossa razão de ser; os fornecedores são os nossos parceiros; os colaboradores são actores e beneficiários do nosso desenvolvimento.

Qual é o vosso target?

O nosso target são todos os cidadãos que necessitem de medicamentos e produtos de saúde de qualidade e origem certificada, nas localidades onde temos as nossas farmácias. Seguindo as melhores práticas de disposição de produtos numa farmácia, os nossos espaços estão segmentados por categorias de produtos: os medicamentos que dispõem de aconselhamento técnico por parte dos nossos farmacêuticos, a dermocosmética com aconselhamento por parte das nossas consultoras, a puericultura e produtos infantis, bem como a secção de perfumaria. No crescimento orgânico, temos sempre optado por geografias cujos segmentos populacionais são de média ou grande dimensão e com algum poder aquisitivo. No entanto, no que toca a medicamentos, o nosso foco é a população em geral, pois entendemos que, para além de uma actividade empresarial, temos a missão de acrescentar valor à saúde dos angolanos e por isso posicionamos os nossos produtos com base nos seguintes critérios: origem certificada dos medicamentos, preço mais barato do mercado angolano e a ideia de distribuição a respeitar as melhores práticas.

Quem são os vossos maiores parceiros?

São os nossos clientes, que acima de tudo mantêm uma confiança elevadíssima em nós. No entanto, e respondendo à sua pergunta, também temos parceiros estratégicos importantes como as maiores multinacionais, a Novartis (origem suíça), a Jaba Recordati (origem italiana), a Basi (origem portuguesa), entre muitas outras com quem temos parcerias estabelecidas e de longo prazo.

Quantas farmácias têm no mercado?

O Grupo MS integra duas empresas relevantes: a MS Moniz Silva International, Lda. (mercado retalhista) e a Zinom (mercado grossista). Ambas têm seguido uma trajectória de expansão, contando em Dezembro de 2016 com 12 farmácias, das quais nove em Luanda, uma no Huambo, uma em Benguela e outra no Lubango. Em 2015, abrimos a última farmácia do grupo (Hanga) em Luanda. A MS é hoje a maior rede de farmácias de Angola, sendo uma empresa incontornável, com um desempenho acima da média de economia angolana, o que constitui um forte atractivo para os parceiros que pretendam ter sucesso no mercado farmacêutico de Angola.

Como caracterizam o mercado farmacêutico no País, neste período de fragilidade económica?

No geral, toda a economia foi afectada duramente pela situação económico-financeira e social do País, e o mercado farmacêutico não é excepção. Na área da saúde, deu-se a “crise dos hospitais”, com graves rupturas de stocksnos hospitais públicos, incluindo vacinas. A depreciação contínua da moeda diminuiu o poder de compra dos utentes. A subida generalizada dos preços, o PIB diminuiu, registou-se a falência e/ou encerramento de muitas empresas (PME principalmente), bem como a desactivação de muitas empresas multinacionais. Este é o cenário em que vivemos. Do nosso lado, continuamos a investir e recrutar ainda que com algumas dificuldades acrescidas, mas sempre com a noção de que “na crise, alguns choram, e outros vendem lenços de papel”. Crescemos em volume e abrimos novas farmácias, pois que temos uma responsabilidade com o nosso país e temos de estar presentes nos momentos bons e nos maus. Inclusive, apoiámos muito o Ministério da Saúde na aquisição de produtos essenciais, de forma a evitar rupturas de medicamentos de VIH/sida, vacinas, investindo e nalguns casos perdendo dinheiro. Mas esta filosofia deriva da nossa missão como empresa e muito do facto de sermos angolanos e termos uma responsabilidade com o nosso país. Actualmente, verificamos que há uma ligeira melhoria económica que faz antecipar uma recuperação, e verificamos que os dirigentes têm feito um esforço magnânimo para melhorar este sector e dessa forma proporcionar mais e melhor saúde aos cidadãos.

Que inovações trazem ao mercado nacional?

São inúmeras e têm um impacto significativo no nosso negócio e no nosso rigor financeiro: Criámos e desenvolvemos a Academia MS, uma universidade interna para funcionários da MS; desenvolvemos assim as competências dos nossos colaboradores, que têm mais de 30 horas anuais de formação; melhorámos o nosso armazém logístico, estando certificada pelos nossos parceiros internacionais a qualidade, sendo todo o controlo de stock feito, por exemplo, por PDA; concluímos a ligação de todas as unidades via net (utilizando VPN) que nos permite aumentar o nível de controlo e segurança, redução de custos de comunicação e melhoria do sistema de comunicação; implementámos um sistema de comunicações VOIP com o objectivo de melhorar o nível de comunicação e controlo de custos; desenvolvemos um software para que os nossos parceiros grossistas possam encomendar online, bem como verificar toda a sua situação na relação com a MS (por exemplo, ver facturas não pagas) online e actualização na hora. Entre muitas outras, pequenas e grandes mudanças. Acima de tudo, um nível de investimento constante e regular para implementar o nosso posicionamento estratégico.

Que estratégias têm usado face à actual situação macroeconómica?

Os nossos KPI (key performance indicators) estratégicos são muito claros, focamo-nos primeiro no lucro e na sustentabilidade financeira, vendas e aumento do número de clientes, aumento do número de farmácias nas principais províncias e liderança em quota de mercado. Ter sempre a melhor e maior disponibilidade emixde produtos, entre medicamentos e não medicamentos, qualidade de serviço e aconselhamento de nível excelente; desenvolvimento de ferramentas que melhorem o serviço e apoio dos nossos clientes; política de responsabilidade social. Como vê, sabemos bem o que pretendemos.

Quanto foi investido nos últimos anos para fortalecer o projecto?

Não lhe vou dizer o número, mas foram muitos milhões de kwanzas. Posso dizer-lhe o que fizemos: entre outras coisas, investimos num novo armazém logístico totalmente informatizado de 1000 metros quadrados. Investimentos em tecnologias de informação web based, em áreas financeiras, etc. Abertura de cinco farmácias e mais de 10 000 horas de formação. Também recrutámos mais de 100 empregados.

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