OMATAPALO e os gigantes da indústria da construção

O Governo precisa de empresas estrangeiras para a diversificação sólida da economia, mas não pode colocar seus verdadeiros empresários à margem de oportunidades.

Angola /
13 Ago 2019 / 20:35 H.

Há uma década que uma construtora estrangeira detinha mais de 50 por cento da dívida pública que o Estado tinha no sector da construção, o que demonstrava que as políticas públicas aplicadas não estavam a satisfazer questões de soberania nacional.

Outros mais de 20 por cento do total da carteira eram detidos, maioritariamente, por construtoras também estrangeiras. Depois é que se surgiam as construtoras angolanas. Este cenário inverteu-se há sensivelmente dois anos.

Se anteriormente uma construtora estrangeira esgrimia argumentos de que era o maior empregador em Angola no sector da construção, este feito começa a pertencer a construtoras nacionais em pleno contexto de crise económica e financeira.

Há mais de meia década que a AECCOPA – Associação dos Empreiteiros de Construção Civil e Obras Públicas de Angola - tentou alertar que um Estado deve viver do seu empresariado, no sector da construção, porque aumentam a sua capacidade de empregabilidade e asseguram paz social aos cidadãos empregados.

Esta afronta remeteu a referida agremiação para fora dos holofotes institucionais, sem possibilidade de contribuir nas grandes decisões que se impõem ao sector em Angola.

Já dissemos noutras ocasiões que não existe nenhum sentimento estranho contra empresas estrangeiras, podem, sim, trabalhar para expansão e consolidação de seus negócios. Porém, alguém poderia dizer se no Brasil o top 5 do mercado da construção civil e obras públicas é liderado por empresas estrangeiras?

Alguém poderia dizer se em Portugal o top 5 do sector é comandada por construtoras estrangeiras, com excepção da “febre” de gigantes chineses do sector em fazer aquisição de participações em construtoras lusas de referência. Recorrendo ao continente berço, é assim na África do Sul? Por acaso é, também, assim no Egipto e na Nigéria?

Estes países nunca entregaram 50 por cento de várias linhas de crédito para uma construtora estrangeira e outros 30 por cento para outras também estrangeiras, deixando as empresas locais com dificuldades de aceder a concursos públicos ou adjudicações directas, com vista a eliminação da pobreza.

O Governo precisa de empresas estrangeiras para a diversificação sólida da economia, mas não pode colocar seus verdadeiros empresários à margem de oportunidades. É necessária uma política virada para o surgimento de um poder empresarial angolano. Que surjam mais empresas angolanas com a dimensão da OMATAPALO, formando os Gigantes da Indústria da construção.