Comércio, construção e imobiliário ficaram com metade do crédito bancário em 2018
O sectores do comércio, construção e imobiliário absorveram metade do crédito da banca comercial no ano passado, de acordo com o BNA, que admite que, assim, é difícil fazer a diversificação da economia.
O sector do comércio absorveu quase um quarto do crédito cedido pela banca no ano passado, enquanto a construção e imobiliária levaram perto de 30% do total, indicam dados do Banco Nacional de Angola (BNA), que reconhece haver poucos empréstimos ao sector produtivo, o que dificulta a diversificação da economia.
De acordo com uma apresentação feita na semana passada pelo banco central a membros do corpo diplomático acreditado em Angola, a que o Vanguarda teve acesso, o comércio por grosso e a retalho ficou com 22,3% do crédito total em 2018.
As actividades imobiliárias absorveram 16,2% do total do crédito cedido pela banca comercial, e a construção 12,1%. Os dados da instituição liderada por José de Lima Massano indicam que o crédito a particulares constituiu 14,1% do total, tendo 11,5% sido destinados a “outras actividades de serviços colectivos sociais e pessoas”.
Por fim, 23,6% destinaram-se a outros sectores, ou seja, os sectores produtivos. O documento do BNA assinala que o crédito tem sido “alocado maioritariamente a actividades não produtivos, criando dificuldades para a diversificação da economia”.
O panorama, aliás, tem sido mais ou menos o mesmo desde 2013, com o sector produtivo a merecer, no máximo, 25,2% do total do crédito, em 2016. O mesmo documento mostram ainda que os títulos de dívida pública pesavam 34,01% dos activos do sistema bancário no final de 2018, quase o dobro do registado em 2013. Já o crédito a clientes, valia 40,85% em 2013, passando para 25,93% no final do ano passado.
Os empresários do sector produtivo têm vindo a queixar-se de que a banca quase não dá crédito, preferindo ceder liquidez ao Estado, por via da compra de dívida pública, um negócio mais seguro e rentável, que revela falta de apetência para o risco e para a essência da actividade bancária – transformar depósitos em crédito.